quinta-feira, 20 de abril de 2017


= CAMINHO ESCOLHIDO =

No horizonte, há uma ponte.
Tortuosos caminhos a apontam...
Descarto os caminhos de pedras e espinhos,
Ignoro a rica flora e fauna,
Lindas cascatas circundando rochas e matas.
Para o desfrute, íngreme é o percurso
Pessoas ali se aglomeram e se esmeram,
Enriquecendo-se em sabedoria.
Eu, pobre diabo, vejo somente rochas e trabalho 
Assusto-me!
Busco suaves atalhos.
Quero o luxo, glamour, luzes e cores.
Vejo-me ator.
À margem, ignoro as dores.
Sou todo sorriso... frio e vazio.
No apogeu do momento
Falsos valores se estendem...
Atendem-me!
O insaciável desejo do poder me alinha.
Bons sentimentos guardados, sem reserva,
As traças vorazmente devoram.
Sou máquina, desvirtuada e enlouquecida.
Mesmo assim, no horizonte, há uma ponte!
 Sigo o errôneo caminho.
Paz... para quê!? Se sempre preciso de mais e mais.
Busco muito ouro, muita prata,
Das mulheres, as louras e as mulatas
Bebo do cálice, o fino vinho da ilusão.
Os homens... são apenas o meu teclados,
Cumprem ordens dedilhadas,
Não questionam,
Também desfrutam do mesmo caminho.
O egoísmo é como um pote de ouro quente,
Quanto mais forte o abraçamos,
Rapidamente, ele nos queima e nos consome,
Levando-nos a mais dolorosa morte;
Morte do espírito.
E a ponte?
O que há do outro lado?
Da estrada das pedras?
Pessoas esperançosas, cheias de fé,
Com tanta sabedoria que conquistaram pelo caminho,
Enriquecidas com seus bons sentimentos em frutos
Carregando consigo as graças de Deus,
E abraçados atravessam.
Eu, que busquei os meus atalhos,
A ponte da felicidade não pude atravessar...
Existia ali, um anjo,
Que dizia a todos que só os ricos poderiam passar.
Sorrindo, exibi toda minha riqueza, meu ouro, minha prata,
Minhas vestias de luxo,
E todo o meu poder.
Ele olhou-me com tristeza
Disse-me, que dentro de mim, só existia pobreza,
Que aquilo que eu julgava riqueza
Nada a mim pertencia
Eram fragmentos do mundo fútil, daquele caminho.
Entristecido, implorei por clemência
Não encontrei uma só virtude em minha consciência.
Estou morando num escuro e solitário, pântano de lama.
 Das escolhas, me arrependo amargamente!
Espero que Deus, um dia, me atenda
E uma nova oportunidade me dê... quem sabe?

Tonho Tavares.