quarta-feira, 14 de setembro de 2016

           = A FLOR E O CAMINHEIRO =
Linda flor a beira do caminho
Por entre pedras, pó da estrada e espinhos
Sem amor e sem carinho.
Donde vem tal beleza?

Quisera eu plantá-la em terra nova
De esterco farto
Fofinho
Tal e qual, do passarinho, o ninho.

Deixar-te ao abandono
É tão triste!
Colhe-te, é tão forte!
Indo em frente...
Quiçá...
Condeno a tua beleza, à morte.

_Diz-me, senhora dos encantos...
Eu, pequeno, para tal dilema...
Ao contemplá-la, já nem sei se é privilegio
Ou se a ti, sinto a dor da sua triste sorte?

_ Olá, amigo caminheiro,
Que em teus olhos desfilo-me por inteira
Cabe a ti o meu destino...
Colher-me ou transporta-me para o teu jardim.

Saiba, meu gentil amigo
Que não sou daqui, um mero acaso
Permanecendo, naturalmente, parecerá a minha beleza
Esparramar-me-ei em sementes
Formando, ao sorriso de Deus, o canteiro.

Sou como tantos de ti, amado caminheiro
 Que por este mundo rude nascestes
Trazendo consigo, em tuas almas, tamanha beleza
Que inspira os povos e a natureza.

Somos da terra o fruto
Após o desabrochar das flores
Não importa o terreno nascido
Somos por excelência
Por Deus, do amor cativo.

Vá em paz meu amigo...
Meu ciclo já se faz vencido
Em breve serei mil flores
Verás que jamais estive esquecida.

Contemple, ame, regue...
Busque na vida, toda beleza que há.
Terás sempre um lugar mais bonito
Se a vida, você aprender cultivar.

Que nasci em terreno bruto
É um fato que não escolhi
Perguntaste-me pela minha beleza
Tudo isto encontrei daqui.


Tonho Tavares.