segunda-feira, 29 de junho de 2015


CAMINHOS PERCORRIDOS.
Tanto andei...
Meus pés calejados pediam arrego
Meu corpo trazem as marcas do tempo.
Meus cabelos traduzem a cor da bandeira da paz.
Sou um misto dos deuses
Com uma pitada acentuada do diabo.
Sobrevivi!
De pé, andei boa parte da vida
Muito me arrastei para ir adiante.
Sou um pouco de cada momento
Aprendi o bem
O mal, eu fiz calar com o tempo.
Cresci, sonhei, vi as sementes virarem arvores
As arvores se enfeitarem em flores
As flores em frutos
Tornando novas sementes.
Deste ciclo sou parte.
Meu destino é desconhecido
Muitas frutas deliciosas saboreei 
Outras amargas, o mundo empurrou
Goela a baixo
Em sonhos viajando
Fiz-me o homem talvez amado.
Em meu quarto das lembranças
Expus os meus mais lindos quadros
Os menos aplausível
Na sala, bem na entrada
O que tenho para andar
Talvez seja pouco
Ou quase nada.
Tudo eu mereci, vale a pena viver!


Tonho Tavares
AMOR ENTERNECIDO.

Vista-me com tua pele macia, 
úmida, com cheiro e o sabor
de amor amanhecido.

Faça deste corpo
tua fonte-cachoeira
que desce pelo teu corpo,
que arrepia...
realizando os teus desejos!

Venha amor!
Padeço deste prazer
que gera fantasias.

Sussurrarei ao teu ouvido
doces palavras.
Perdoe-me se o meu equilíbrio for perdido,
palavras obscenas impensadas,
mas sentidas,
borbulharão em nosso leito.
Beijos despudorados,
sem nenhum respeito,
retratam nosso louco amor enternecido!

Tonho Tavares
PERMITÁ-ME.
       Permita-me...
...do teu olhar 
ser o brilho.
...dos teus sonhos 
ser os teus desejos.
...das tuas manhãs
ser a esperança.
...dos teus dias
ser a razão.
...das tuas noites
ser o teu evento.

     Permita-me...
...ornamentar o teu céu
de lua e estrelas.
...das tuas madrugadas
em um tempo qualquer
de prazeres infindos.
...dos teus momentos
o valer a vida.
...o teus sentimentos
ser a certeza.

   Se mais me permitires...
...Faça-me dos teus lábios
o frescor da tua alma.
...do teu corpo
a brisa suave
que me faz suspirar.

   Para que isto me permita...
Faz-se necessário 
que tu se permita
não sei se muito ou pouco
É impossível de avaliar
certo é que o teu amor
por mim
venha se enamorar.

Tonho Tavares  
VAMOS DANÇAR


 Irei buscá-la à noite
Estarei leve como um sonho
Nas mãos, uma rosa em botão
No rosto, um sorriso das manhãs de primavera.

Não lhe direi o quanto a amo.
O amor exalante da minha pele 
E o brilho do meu olhar
Irão de encontro aos mais profundos dos teus desejos.

 Sem palavras, dar-te-ei um longo beijo.
Pelas mãos, eu a tomarei
Até o grande salão iluminado pela lua
Adornado por lindas estrelas
Algumas cadentes riscam o cenário
Numa beleza sem igual.
Um violino tímido 
Entoará uma valsa de Strauss
Uma grande orquestra
Surgirá como por encanto
Tomando parte do encantado 
Momento.
Dançaremos como lordes
Final da noite
De volta a casa
Tudo na maior perfeição.
Na alcova
Sem requinte, sem glamour
Sem orquestra, sem lua e estrelas
Na penumbra do quarto
Roupas ao chão
Cama em desalinho
Nossos corpos suados
De excitação, enlouquecidos.
Momentos de pura paixão.

Tonho tavares.
HOJE EM PENSAMENTO.

Por favor, não queira moldar-me!
Nem mesmo mudar-me.
Sou o que sou
Pedra dura polindo ao tempo.

Nasci livre
Imperfeito e com alguns acertos
Sou imutável, como imutável é o amor.

Do amor, eu não trouxe a sua beleza
Desfruto das suas inesgotáveis riquezas
Tenho sede de amar.

Amo a vida
As pessoas
A natureza
Os animais

Sou virtude 
sou defeito
sou feito e desfeito
Sou um ser humano perfeito. 

Na felicidade, sou livre, como livre é o condor
Canto, solfejo, assobio, grito
Sou suave como o silêncio.

Nas tristezas...
Tristeza... Acho que não a conheço
Talvez, momentos diferentes
Onde eu choro, oro,
Em Deus e nos amigos me consolo.

Viver em você...
É viver dupla alegria
São as minhas e as suas
é viver em harmonia.

Seus problemas, sua cruz, seu calvário
Dividimos o peso na caminhada
Tornando-se suportável a escalada. 

Felicidade é como flores em meio as pedras
Só as contemplam, aqueles que sabem procurá-las.

Amo vocês mulheres
Fêmeas adoradas, que devem sempre ser amadas...
A cada amanhecer
Ao anoitecer
Ao contemplar das estrelas, da lua...
Nas noites frias de inverno
Amar a cada momento
É tão forte, é tão mágico.

Você que sabe amar com os olhos
Encanta-me 
Encontro neles, a chamada do amor.

Amo você...
Que segura as minhas mão
Que desliza os lábios pelo meu rosto
Que abraça-me com sabor de mil desejos
E trás no beijo todo encanto dos sonhos.

Amar você a cada momento
Nas noites cálidas de amor infindo
Ou simplesmente, amar, amar e amar.


Cultive-me com carinho
E colherei em você as mais lindas flores
Mas por favor...
Não me molde
Nem mesmo me mude
Se isto acontecer, com certeza
Terei o meu “Eu” em pedaços.  

Tonhotavares

domingo, 28 de junho de 2015

QUERO VOCÊ. 

Quero você, 
minha flor viçosa,
que um dia, faceira e prosa,
cresceu em meu jardim.

No lirismo do anelo,
será sempre a mais bela
e, em mim, impera
seu perfume de jasmim.

Serei o seu paraíso.
Meu amor é sem juízo,
cresce e brota sem perguntas
maltratado-me o coração.

Se um dia me quiseres,
por favor, não se revele,
sentirei na própria pele,
o amor que vem de ti.

Buscarei para o meu leito,
Terá do amor
o mais perfeito
que guardei pra ti.

Deixe-me ser o teu amante,
será sempre uma constante...
noites lindas de paixão!

Tonho Tavares

         
  AMOR ATREVIDO  
Veio pedir o meu amor?
Por favor... Pense bem!
Dele, não tenho nada a me orgulhar.
É muito atrevido, ele agarrara, afaga
e faz coisas que até Deus duvida.

Adora dar flores, dizendo-as “compradas”
Vai saber...
Invade o céu com um grande cesto,
colhe estrelas,
apanha sem permissão os raios da lua
e lhe entrega fazendo-se poeta.
É passageiro clandestino
que viaja às escondidas nas asas do sonho.
É ele, o exímio penetra
Rouba a alma
E como sem-teto
Apossa-se do seu coração.

Se o levar, vai se arrepender!
Sossego não mais terá.
Roubará a suas roupas
Derramará o teu suor,
Fará você gemer de prazer.

E para terminar, pense mais uma vez, 
Ainda é tempo de desistir!
Ele adora atacar de madrugada...
Anestesia a sua alma,
enquanto você dorme
E rouba o seu corpo.

Se mesmo assim, depois de tantos defeitos
eu ter-lhe contado,
Ainda assim o quiser, lamento, 
mas o que posso lhe dizer?

Vocês se merecem!
   
  Tonho Tavares

sexta-feira, 26 de junho de 2015


EU A SUA ESPERA. 

Estou calado,
Quase mudo,
Não mudado.

Meu coração a espreita
Silencioso, quase imperceptível.
Ele teme assustar os sonhos.

Vieram-me as estrelas, a lua
Revelaram-me, como boas fofoqueiras,
Que alguém, em algum lugar,
Pensa em mim.

Pedi aos sonhos,
Viajor dos desejos,
Que trouxesse...
...Quem sabe hoje,
...Ou quem sabe agora,
Ela, inteirinha para mim!

Venha amor meu!
Por você até as flores clamam 
Meu corpo permanece em chamas
A espera de você!

Quero-te... 
Ainda que seja em meu sono,
Trazida pelas mãos dos sonhos,
Fazendo de mim... 
o seu amor verdadeiro!

Tonhotavares

EMBARCANDO EM SONHOS.

O sol bateu à minha janela.
O vento, como bom anfitrião,
A cortina abriu.
Seus raios esparramaram-se pelo chão,
Subiram em minha cama,
Convidando-me à vida.

Recostei-me na cabeceira do catre.
O linho branco envolvia meu corpo nu.
Senti-me só...!
Meus olhos embarcaram
Na locomotiva dos sonhos.
Coração e alma desprenderam-se
Do meu corpo numa viagem encantada.

Boa noite! 
Posso me sentar?
Obrigado. Está só?
Viestes neste trem ou já estava a me esperar?
O que quer tomar?
Não me diga que servem aqui...
Taças de 'amor à primeira vista'?

Pedirei ao garçom um buquê de copos-de-leite,
Quero enfeitar o nosso dia.

Permita-me esta dança?
Maestro, por favor, um bolero.
Gosta de poesias?
Quem sou eu? 
Sou o tudo em pedaços,
Sem corpo, sou alma, olhos e coração
Sou o sonho que o sol enviou...
Quer um beijo?
Terá todos até a triste partida.
Quando voltarei?
Todas as vezes
que
 a saudade for sonhada.

Tonho Tavares

AMOR SEM FINAL. 

Não espero que você venha em brilhos de estelas
Nem tão pouco em raios de luar
Seu brilho é tão forte
Pois consegue a minh’alma iluminar.

Com magia ocupastes os meus sonhos
Acalmando este inquieto coração
Trás em mim, do amor, toda a esperança
De um hoje terno e sem final.

Guardei para você todas as flores
Não colhi, estão todas em meu jardim
Se cultivarmos e regamos com ardor
Certamente a florada não terá fim.

Em meu coração plantarei uma roseira
Serás dela a cultivadora
Se com zelo, com amor e esperança, adubá-la
Colherás todas as noites lindas flores 


Seu nome... bem...
Prefiro chamá-la de amada quimera 
Materializada em meus mais lindos devaneios
Venha logo, sem nenhuma demora 
E será com certeza
O amor concreto, saciado de sonhos. 

Tonhotavares  

DIÁLOGO EM PROSA E VERSOS.

          I

Sentei-me, na areia,
A beira das águas claras!
Borboletas em bandos
O chão coloria.

          II

Flores multicores margeavam o rio.
Orvalhada, ao sol brilhava, tão linda,
Uma pequena teia de aranha tão linda
Qual uma renda portuguesa.

          III

Como é bela a vida no olhar da poesia!

          IV

Uma grande e linda borboleta
Pousou no meu colo.
Eu, em meus devaneios,
Disponho-me a dialogar com ela.
- O quê?
- Quer saber quem sou eu?
- Sou apenas um homem,
perdido no horizonte dos sonhos,
buscando realizar-me no amor!
- Como é mesmo?
- Quer saber se estou sempre aqui?
- Sim, sempre que a solidão faz-me companheira.
- E você, minha linda princesas de asas vibrantes...
- ...És feliz?

          V

Ela voou, subiu no azul do céu,
Desceu, deu voltas por sobre as águas,
E, depois, suavemente, pousou em minhas mãos.
- Boa resposta minha amiga!
É isto mesmo...
- Felicidade é ser livre para voar!
- É ter a certeza de onde pousar!

          VI

Diga-me, minha amiga borboleta:
- Você sabe o que é o amor?
Outra vez, ela alçou voou, pousou junto ao seu bando
Beijando uma por uma de suas, companheiras!

          VII

Depois, voou mais alto beijando as flores perfumadas da natureza,
E plainando ao sabor do vento,
Pousou em meu ombro sussurrando ao meu ouvido:
...Amo a tudo e a todos e tenho o mundo por abrigo.
...Falar a ti dos meus sentimentos não é preciso!
...Serias tu, tão tolo, incapaz de enxergar a ‘felicidade’?
...Responda-me, ‘seu curioso’...!
...O que procuras?
...Tu tens uma boa prosa ou vives dos teus próprios lamentos?
- Boa pergunta, amiguinha!
- Acho que em parte, sou apenas uma boa prosa!
- De resto sobram, apenas, meus lamentos!
...O que esperas sentado na areia?
- Espero um amor que quiçá virá na terceira ou quarta lua,
Numa carruagem adornada pelas estrelas,
Trazendo-me um coração disposto a me amar, também!

          VIII

...Rá... Rá... Rá... Rá... Rá!
...Que pena meu amiguinho!
...Quando paramos no tempo nos tornamos presas fáceis...
...E pelo visto tornastes presa dos teus sonhos,
Das tuas lamurias e da tua espera, por vezes, quase eternas!
...Nós, as borboletas, não nos escondemos por detrás da espera.
...O segredo da vida é ‘o esperar, indo em frente!’
...Contemple, sem muita espera, mas sempre buscando.

           IX

- Ei! Amiguinha, por favor, não me deixe só. Não vá embora!
- Ainda careço dos teus ensinamentos.
...Tenho que ir, meu amigo, o tempo não para.
...Tu queres aprender?
...Então,
...Atravesse o campo das ilusões,
...Contemple-o!
...Percorra as searas de sonhos!
...Se encante!
...Analise os quatro cantos do mundo!
...E assim descobrirás que o amor verdadeiro não mora no impossível!
...Ele, de tão próximo, mora dentro de ti!
...Queres ser amado? Ame! Ame com fé...!
...O amor ultrapassa as barreiras da ilusão.
...Ele é o realismo dos sonhos!
...O amor é o mais belo e liberto voou de nossas vidas!
Adeuuuuus... Amiguinho...!
Ame! Ame muito! Ame com ardor!
E, sem cessar, leve o amor SEMPRE adiante e DENTRO DE TI!

Tonho Tavares

quinta-feira, 25 de junho de 2015

EU VI.

Eu vi a fonte
Vi a ponte
Vi as águas correntes 
Vertendo para a várzea
Regando vidas
Alimentado as esperanças.

Eu vi a garça branca
Pousando no alagado.
O arroz em cachos dourados
Tombando ao vento.

Ao lado uma pequena casinha de sapé
Onde Maria e José
O seu sexto filho 
com alegria anunciavam.

Vi a água da fonte
Encontrando com o rio
De braços dados companheiros
Numa viagem constante
numa carreira itinerante
Deleitando em cachoeira
Bramiam de felicidade.


Desaguaram no mar
Ganharam a imensidão do oceano
Abraçaram o sol em seu poente
Aos beijos receberam-no na nascente
Num cenário encantador.

Como espelho receberam a lua e as estrelas
Refletiram em noite de poesia.
Com magia 
Inspirou os enamorados aos beijos
Numa noite linda
Numa noite de deliciosos pecados.

Quebrou na praia as suas ondas
Gritou em altos brados os seus mais secretos segredos
Foram ouvidos pelos enamorados, apaixonados
Que juraram amor eterno.

Eu vi a fonte
Vi a ponte
Vi as águas corrente 
Vertendo para a várzea
Regando vidas
Alimentado as esperanças.


Quisera eu ter esta sorte
Como um arroio 
Também nasci pequenino
Cresci menino
Espalhei-me pela vida.

Busquei o rio... 
Em paralelo
vertemos em lados opostos.

Da solidão, o açoite...
Derramei-me em lágrimas 
Reguei as flores
Tornei-me compadre de Maria e de José
Reguei as sementes ressequidas
Novos cachos foram colhido
Esparramei-me em esperanças.

Cresci, contaminei-me, enfureci
Deixei de lado a criança
Chorei a cada lembrança
Quantos segredos guardados em mim! 

No caminhar absorvi vários sentimentos
Os mais puros, em meu coração os coloquei
Os menores, perversos, são como espinho
Dói, inflama, abre em feridas
E são expulsos por rejeição da pequena bondade
Que no corpo habita.

Coletei todo o amor que encontrei
Engrossei minhas águas
Tornei-me um lago
Parado, não estagnado
Um pouco mais profundo.

Não tenho a exuberância do mar
Em pequenas marolas brinco com os juncos
Não sou o retato do abandono
Sou um sonho eterno
Que espera que num suspiro forte
Empurrado pelo vento e pela sorte
Transborde o lago e o rio
Abraçaremos numa carreira louca
Lado a lado aos nossos brados na cachoeira
Gritamos “liberdade” “liberdade”!

Na imensidão azul do amor
Faremo-nos mar
Será ali o aconchego da nossa eterna felicidade.

Tonhotavares
   DESPERTAR DO POETA.

Hoje, não me despertei poeta!
Acordei  amante...
...Que procura, a todo instante
...Os seus desejos saciar!

Sinta as minhas mãos
Que pelo seu corpo vagueiam...
...Lendo, 
...desvendando,
 ...atiçando
Os desejos, quase loucos,
Arrancando suspiros e gemidos
Num delírio sem igual!

Vamos namorar no chuveiro?
Daremos beijos,
...Literalmente molhados!
Corpos em chama
Ao limite do gozo!

Carregarei você...
...molhada
...Corpo ardente em brasas!
Minha boca em sua boca até a cama
Serão lençóis e fronhas ensopados!

Contemplarei...
...o seu corpo nu,
Contorcendo de prazer,
...Assanhando-me, 
...Inflamando-me, 
...Convidando-me
As carícias do amor!

Lençóis de linho, 
...Em desalinho,
...Travesseiros ao chão,
...Roupas espalhadas pelo quarto,
Consequências dos nossos corpos em ebolição!

Agora...
...Olho a cama vazia,
...O quarto na mais perfeita harmonia,
Dorme o amante,
Acorda o poeta!

Tonhotavares.
PASSARO IMIGRANTE.

Não me abaterei diante das dores
Nem da carne
Nem do amor.

Sou um livre pássaro imigrante
Que espera alçar vôos distantes.

Voarei por entre nuvem
Ainda que seja passageira
Nortearei, com presteza, o meu aconchego
Onde o realismo dos sonhos se permitem
Eu me faço por inteiro.

Buscarei você minha amada
Ainda que não seja  tão pura
Com virtudes, acertos e erros
Amarei você com ternura.


A cada encontro, beijos
A cada despedida, saudade
Em cada momento, desejos
A todo tempo, felicidade.

Dormirás no aconchego do meu colo
No cansaço de cada dia
Serei de você, amado
Terá de mim, muito amor e alegria.

Envolver-te-ei em meus braços
Nas noites frias de inverno
Cantaremos  juntos músicas de serestas
Trarei a lua e as estrelas
Para enfeitar a noite
Ouviremos ao longe uma orquestra.

Já não sei o que é real ou quimera
Vivo em partes, no meu “Cantinho Encantado”
Se meus sonhos forem perdidos
Serei apenas o um pássaro engaiolado.


Tonhotavares
     ESCREVENTE SONHADOR. 

Poeta... eu não sou
Sou escrevente das minhas quimeras
Se a vida oferece-me um traço
Na poesia solvo-me em versos.

Estudo eu não o tenho
fascinei-me pelo amor
se na alma fagúlhas adormecidas
desperto-as, não as deixo esquecidas.

Se me amas de verdade
Venha,  serei o seu bemquerer
Se não sentires bem a vontade
Será hora de um triste adeus.

Meu coração chora
A ausência que é só sua
Em versos eu o consolo
A minh’alma sempre será sua

Sou feliz escrevente sonhador
Sonhar sem dor é esperança
Se eu a tenho em meus versos
Vivo uma eterna criança.

Tonhotavares

quarta-feira, 24 de junho de 2015



NOITE AMIGA.

Noite que desfila
em escuro ferrenho
solteira, vagando incauta.
Seja minha companheira
seja como tal uma espiã do amor.
Leva-me nas asas do teu silêncio
à alcova donde está a minha amada.
Adentre primeiro, sussurre ao ouvido dela
levando à janela.
Pinte o céu com lindas estrelas
convide a lua, sua fiel companheira.
Fique maravilhosa, como bem merece o amor.
Guiar-me-ei pelo perfume que dela exala
que em ti, minha negra amiga,
ficara impregnado.
Caminharei até a sua janela
Com amor e desejo
declamarei versos
de poetas diversos.
Cantarei para ela, uma canção de amor.
Se por acaso, a porta ela abrir,
devo despedir-me de ti.
Perdoa-me se eu for ingrato
aconchegarei naqueles braços,
 até o amanhecer, certamente
não mais me verá.

Tonho Tavares

CORAÇÃO INVETERADO.

Nas ruas, num vai e vem
Sua história procurava.
Amores
Desamores
Em preto e branco Ele via
e as cores Ele buscava.

Aos tantos enganos e desenganos
Apenas sorria.

Não era Ele tão velho
Mas quantas histórias trazia!

Chiquinha na esquina mora
Amou-a...
Nem ela mesma sabia!

Na casa amarela morava Maria
Quantas cartinhas trocadas
Olhares tímidos
Aflito, o coração fazia pulsar
Alem disso...  
nada mais acontecia.

 Na janela a Conceição...
Que susto, que decepção...
O tempo fora péssimo artista
Esculpiu-a sem piedade.
Nela, aumentou varias partes
Outras foram afinadas.

Na casa azul, Cássia...
Quanta saudade
Esta ali não mais estava.
Casou-se com marinheiro
Foi-se embora sem dizer nada.

Na casa antiga
Morava Isabel
Talvez tenha indo para o céu
Quantas serenatas em sua janela
Músicas românticas, ao som do velho violão.
Da garganta a voz tremida saia.
Quantos beijos pelas madrugadas
Ali mesmo, naquela velha janela
São lembranças de um coração envelhecido
Que fez trilha
Sofreu
Alegrou
Chegou bem perto da morte
Mas teve sorte
nunca deixou de amar. 

Tonho Tavares


A LUA DOS SONHOS.

Eu vi a lua...
Quem sabe minha...
Quiçá tua...

Com tua voz suave
Tal como a brisa da cachoeira
Convidaste-me, amada lua!
A viajar em devaneios.

Eu vi a lua...
Quem sabe minha...
Quiçá tua...

Vestiste-me com a singeleza do encanto
Vieste em acalanto
Pintaste em meus olhos um sorriso
Enxugaste o meu pranto.

Eu vi a lua...
Quem sabe minha...
Quiçá tua...

Vieram as estrelas
Esparramando em passarela
Iniciei a caminhada
Em uma doce quimera.

Eu vi a lua...
Quem sabe minha...
Quiçá tua...

Passadas leves por entre as estrelas
Na leveza de um sonho maior
Deslumbrei-me com tal beleza
Na ternura do teu olhar.

Eu vi a lua...
Quem sabe minha...
Quiçá tua...

Os meus olhos em teus olhos
Misturaram os nossos momentos
Buscamos a lua companheira
Que iluminava aquele momento.

Eu vi a lua...
Quem sabe minha...
Quiçá tua...

Trêmulos de desejos 
Os meus lábios encontram os teus
Entregamos-nos aos beijos
Nas delícias do amor.

Eu vi a lua...
quem sabe minha...
Quiçá tua...

Foste tu
Linda mulher
Senhora da lua e do luar
Enviaste a tua lua
Tão longe vieste me buscar.

Eu vi a lua
Não era minha
Era tua
Quiçá um dia nossa?

Tonhotavares. 
EU E A VIDA.

A vida me fez companheiro
Em partes ou por inteiro
Bebo do dia, o mel
Às vezes o amargo do fel
Adoço-me em amor.

Sou o sorriso...
...da criança 
...do contador de história da praça
...do velho que alguém abraçou
...da flor que nasceu a beira do muro
...do dia que amanheceu sombrio
...do bêbado que alguém ajudou
...De Deus, em cada um que padece por amor.

Não sou eu o luxo
Nem o lixo
Sou vestígio de luz
Sou eu em fragmentos garimpados em sonhos
Quiçá, o brilho do pequeno diamante
Apago-me na erosão do tempo.

Quando amo, tenho em mim o brilho das estrelas
Sou autêntico na minha complexidade.

Tonhotavares


EU QUERO UM BEIJO. 

Hoje eu quero um beijo
Estou carente
Não estou só.
O meu quarto infestado de sonhos esta
Os desejos desfilam pelas paredes
No teto um lustre que insiste revelar-me a solidão
No ar um perfume, tão forte, tão doce, de um amor a ser vivido.

Um pequeno sonho caiu em meu colo
Colhi um desejo, não muito grande
Que descuidadamente pousou em meu peito.

Deslumbrei você em minha cama
Sorriso lindo de mulher amada.
Seus lábios sensuais buscavam os meus
Apossei-me de uma dúzia, dos velhos sonhos, que incautos se moviam 
Senti o seu corpo se contorcendo em delírio
Suas mãos macias deslizavam pelo meu rosto
A chama ardente, do amor, se esparramava pelo meu corpo
Uma louca paixão desalinhava o leito
E eu, que só queria um beijo!

Lustre malvado
De espada incandescente
Despertou os meus sonhos
Eu só, aguçados desejos.

Tonhotavares. 
QUANDO O SOL BRILHAR.

Quando o sol brilhar...
... Terei sido a sua real quimera,
... Teremos feito valer a espera,
... deste amor que nasceu escrito!

Quando o sol brilhar...
... Beijando-nos pela primeira vez   
... Nossos corpos entrelaçados
... Os grilhões do pudor já quebrados
... Perder-nos-emos por entre linhos e travesseiros.

Quando o sol brilhar...
... O gozo do corpo,
Cúmplice com o prazer da alma,
Elevar-nos-á ao paraíso,
Não mais teremos que dizer adeus!

Quando o sol...
... Há muito nascido, brilhar...
... Testemunhará o amor pungente,
a invadir os nossos corpos,
Mudando o tom de nossas vidas!
  

Quando o sol brilhar...
Mesmo que se faça noite,
... Este intenso e eterno brilho,
Veremos, advindas das nossas almas,
Desposados por um amor infinito!

Antônio Tavares.