sábado, 30 de maio de 2015

SOU EU.

Não me deixe para o amanhã!
Do ontem eu já me fiz distante
Colhi o meu quinhão de experiências
Construído por lágrimas e sorrisos.

Não me deixe para o amanhã!
Sou eu que...
...No ontem partiu sem caminhos
Pisando, horas em pedra, horas em espinhos.
Refrescando a minha dor
Nas pegadas sofridas
Nas areias molhadas da praia.

Sou eu que...
...Sofri as agruras
Das noites sem dias.
Dos sorrisos vazios nas ruelas, nos becos
Nos boutiques mal cheirosos,
Dos submundos da vida
Pobres diabos que ali são presentes
Entregaram-se a mercê da sorte
Sorrindo felizes a aproximação da morte.

Sou eu que...
...Assisti a mulher parideira
Sem teto, sem leite, sem abrigo e sem amparo.
Dividindo com ela a minha esperança derradeira
Neste dia sorri com a boca
Para que o coração em silêncio pudesse chorar.

Sou eu que...
...Junto a te, irmão meu,
Conheci, o frio, a fome, a sede e o desamor
Sempre com um fio de esperança
Naquela luz que permanece tímida, mas perene,
Porque ela é do Criador.

Sou eu que...
...ainda persisto na saudade
Das flores que por entre pedras e espinhos
Enfeitavam levando sonhos pelos caminhos.

Sou eu que...
...um dia me vesti de glorias
Mudei toda minha história
Vivi tempos de amor tão forte e tão profundo
Que nem os mais nobres dos homens
Gozou de tamanha felicidade.

Não me deixe para o amanha!
Careço hoje de seu amor
Quem sabe do amanha vindouro
Meu coração cansado da batalha e da espera
Não mais possa te amar.


Antônio José Tavares (tonho)