domingo, 31 de maio de 2015

             = ESPERANÇAS EM VÃO =

          Naquela manhã o sol brilhava como nunca!
Os pássaros cantavam anunciando a primavera.
           O velho sonhador levantou-se cedo, olhou para o sol que no horizonte despontava, suspirou ao lembrar-se de seu amor que se fez distante.
          Tudo estava perfeito.
O seu coração batia em sintonia com o cósmico.
Ele fora previamente informado, que naquela mesma noite, a sua musa viria visitá-lo.
Sua alma em festa conjecturava com todas as artimanhas, possíveis e imaginárias.
Queria impressionar a sua amada.
Foi um dia de arrumação... 
Cortou o seu cabelo, fez a barba, separou a sua melhor mortalha, comprou cuecas e meias novas, arrumou o seu quarto, como um passarinho carinhosamente prepara o seu ninho.
      Pediu que afinassem as cordas do violão, queria cantar uma canção de amor, que ele compôs para ela.
       Tudo era encantamento!
Há tempos que o velho não vivia tal felicidade.
       Chegou à tarde, o peito estava abarrotado de amor a ser vivido.
Sentou-se em sua poltrona, fez pouse, mudou os objetos dos lugares, decorou verso, ensaiou varias frases para encantar a sua enamorada.
        A noite chegou...
A lua e as estrelas, curiosamente vieram para testemunhar aquele encontro lindo e singular.
Tudo estava pronto, o velho se vestiu com sobriedade, usou sua loção mais agradável, penteou os cabelos grisalhos, sutilmente na testa desalinhados.
Procurou as melhores palavras, simulou o seu melhor abraço, imaginou o seu beijo ardente da chegada.
O tempo foi passando, o coração batia rápido como pingos de chuva. Sentia o pulsar em sua garganta que provocava novos suspiros.
        A noite foi-se findando, o velho sonhador sentado, quase sem reação, olhava o telefone, o computador
Não queria acreditar, era tudo silêncio!
Ele só ouvia o barulho confuso que invadia a sua cabeça.
Os sonhos se esvaíram ao acaso.
Até mesmo a lua e as estrelas se apagaram.
Triste noite, de uma vã espera, sem versos, sem beijos molhados, sem amor.
 Na sacada de sua casa, ele vê novamente o sol que voltava a brilhar. Nada mudou no mundo...
Suas lágrimas foram enxugadas pelo enorme lenço do descaso.
Sentou-se em sua escrivaninha, pegou a caneta e o bloco, escreveu lindos versos.
O amor não foi embora, continuava agasalhadinho na alma do poeta.
O amor unilateral é como gelatina, gostosa, mas não nos alimenta por toda a vida.


Antônio (Tonho)