domingo, 31 de maio de 2015

INVASOR DE SONHOS

Inclua-me em teus sonhos
Arrasta-me pelos caminhos secretos dos teus desejos
Cativa-me em teu leito.
Absorva a virilidade do meu corpo
Fortaleça minha alma
Que por te se faz carente.

Quando em sono profundo estiveres
Chegarei na brisa fresca da madrugada
Tomarei de assalto o teu corpo
A tua boca ainda adormecida eu beijarei

Olhos nos olhos
Lábios nos lábios
Encanto-me com o brilho do teu olhar.

Eu em traje intimo
Tu com um penhoar vermelho transparente
Teu corpo atrevidamente 
Revelado pela luz do luar
Seduz-me
Enlouquece-me 
Perco-me na insanidade da paixão.

Carrego-te em meus braços
Conduzindo-a para interior do quarto
Suavemente desço-te ao solo
Abraçados, de rostos colados 
Ao som de um imaginário violino 
Dançaremos.

Desejos transbordantes
que exalam
Em nossa pele o cheiro do cio.

A razão é entorpecida
Levo-te para cama
Lençóis e travesseiro espalham pelo chão
Gemidos, gritos prazerosos
Ferem o silêncio.

No frenesi do amor
Me desperto, estou só!
Procuro-te, você já se foi
Percebo que não fui eu o invasor dos teus sonhos
Forte tu, que invadiste o sonho meu. 

Antônio (Tonho)
             = ESPERANÇAS EM VÃO =

          Naquela manhã o sol brilhava como nunca!
Os pássaros cantavam anunciando a primavera.
           O velho sonhador levantou-se cedo, olhou para o sol que no horizonte despontava, suspirou ao lembrar-se de seu amor que se fez distante.
          Tudo estava perfeito.
O seu coração batia em sintonia com o cósmico.
Ele fora previamente informado, que naquela mesma noite, a sua musa viria visitá-lo.
Sua alma em festa conjecturava com todas as artimanhas, possíveis e imaginárias.
Queria impressionar a sua amada.
Foi um dia de arrumação... 
Cortou o seu cabelo, fez a barba, separou a sua melhor mortalha, comprou cuecas e meias novas, arrumou o seu quarto, como um passarinho carinhosamente prepara o seu ninho.
      Pediu que afinassem as cordas do violão, queria cantar uma canção de amor, que ele compôs para ela.
       Tudo era encantamento!
Há tempos que o velho não vivia tal felicidade.
       Chegou à tarde, o peito estava abarrotado de amor a ser vivido.
Sentou-se em sua poltrona, fez pouse, mudou os objetos dos lugares, decorou verso, ensaiou varias frases para encantar a sua enamorada.
        A noite chegou...
A lua e as estrelas, curiosamente vieram para testemunhar aquele encontro lindo e singular.
Tudo estava pronto, o velho se vestiu com sobriedade, usou sua loção mais agradável, penteou os cabelos grisalhos, sutilmente na testa desalinhados.
Procurou as melhores palavras, simulou o seu melhor abraço, imaginou o seu beijo ardente da chegada.
O tempo foi passando, o coração batia rápido como pingos de chuva. Sentia o pulsar em sua garganta que provocava novos suspiros.
        A noite foi-se findando, o velho sonhador sentado, quase sem reação, olhava o telefone, o computador
Não queria acreditar, era tudo silêncio!
Ele só ouvia o barulho confuso que invadia a sua cabeça.
Os sonhos se esvaíram ao acaso.
Até mesmo a lua e as estrelas se apagaram.
Triste noite, de uma vã espera, sem versos, sem beijos molhados, sem amor.
 Na sacada de sua casa, ele vê novamente o sol que voltava a brilhar. Nada mudou no mundo...
Suas lágrimas foram enxugadas pelo enorme lenço do descaso.
Sentou-se em sua escrivaninha, pegou a caneta e o bloco, escreveu lindos versos.
O amor não foi embora, continuava agasalhadinho na alma do poeta.
O amor unilateral é como gelatina, gostosa, mas não nos alimenta por toda a vida.


Antônio (Tonho)

ESPERANÇA DO QUERER.

Eu queria...
...Um amanhecer de primavera
...Com flores silvestres revestindo toda a terra
...Assistir o reflexo do sol na gota de orvalho adormecida.

Eu queria...
...Desejar um bom dia para a vida
...Sentir o perfume de todas as flores, daquele imenso jardim florido.
...Sem camisa, no frescor da manhã, abrir os meus braços de frente para o sol, abraçar com carinho a mãe natureza.

Eu queria...
...Tomar emprestado centenas de flores
... Adentrar em casa de mansinho
... Invadir o seu quarto, onde você linda mulher, quase despida, em seu derradeiro sono, quem sabe nos seus sonhos daquele instante, seja eu o protagonista.
...Enfeitarei o seu leito, o espelho, o seu banho, com flores.
...Do quarto a cozinha, adornarei todo o caminho, fazendo de você mulher amada, a minha rainha.

Eu queria...
...Acender o fogão a lenha, ferver a água em chaleira de ferro
...Passar o café em coador de pano, servi-lo em bule esmaltado, preparar a bandeja, com todas as iguarias da roça, pão de queijo, broa de fubá, de queijo, biscoitinhos, quebra-quebra e de polvilho, leite e o queijo, muitas frutas de época e levar tudo isto para você.

Eu queria...
...Acordá-la com mil beijos, satisfazer todos os seus desejos matinais, ir para banho com você, tomar café ali na cama, ouvir de você dizer... “eu te amo”
...Sairmos juntos para o campo, correr sobre a relva molhada, chegarmos à cachoeira.
...Ouvir o gorjear dos pássaros que constroem ali o seu ninho, o gaitear da das águas que descem pela pedreira.
...Subirei pelo penhasco, colherei morangos silvestres, bem vermelhinhos, para você.
...Deitaremos na grande pedra, bem defronte a queda d’agua, lá onde as águas agitadas brincam num bailar incessante.
...Você deitada por sobre o meu corpo, olhos nos olhos, lábios sedentos úmidos, pedido-me beijos.
...Suas mãos passeando pelo meu corpo, seus cabelos tocando a minha face, eu flutuando em naus de sonhos, sussurro em seu ouvido... Bom, pularei esta parte.
...Apaixonados, nossos corpos se atracam numa jura de amor sem fim.

Ah!...Como eu queria!

...Para que tudo isto aconteça faltam... Você, o cenário e a cachoeira.
...O que eu já tenho guardados são... Eu, os sonhos e o amor sem fim.


Antônio José Tavares (Tonho)
ESPERANÇAS ATEADAS.

O porquê deste vazio?
Será o vôo rasante?
Ou será que o mergulho foi muito profundo?
Não sei!
Sinto-me fora do mundo.

O poeta sofre pelos intempéries da vida
Versa em fuga, suas tristes agonias
Entre traços e rabiscos
Traçado é o seu destino.

Alço vôos bem alto
Protejo-me do que me faz real.
Vaguearei em outras paragens.
Busco o meu cantinho encantado
Crio cenas memoráveis
Sempre ao seu lado da minha mulher sonhada.

Acredito na existência do amor
É este o sentimento latente
que percorre por todo o meu corpo
invadindo a minha alma.
Externo-me em versos.

Teimosamente mergulho fundo
Certeza, só dos meus sentimentos!
Retorno em voo rasantes
Busco bem de perto o realismo dos meus sonhos.

A paixão é insana, cega-me
Trombo contra o muro
Machucado, estatelo-me no chão
Arrasto-me até o abrigo
Minhas asas estão quebradas
Perece meu orgulho
Abraço a solidão.

Sou poeta
Sou gado de invernada
Não me permito à morte
Luto!
Agarro o último fio da esperança.

O tempo oferece-me...
... A tinta, ao pincel e a tela.
Pinto um novo mundo em aquarela
Lento, bem artesanal
Construo as minhas novas asas
Mais fortes
Capaz de voar contra o vento
Preparo-me para amar.

Infinitas são as possibilidades
Frágil é o meu coração
Ele não ouvi a minha voz
Nem mesmo a da razão.

O muro se ergue bem distante
Tenho medo!
Sou um sonhador inveterado
Creio no amor verdadeiro
viajo em novos vôos
Mergulho cada vez mais profundo
Não me é importante quantas asas ainda terei que quebrar
Com certeza o muro, um dia, ainda hei de ultrapassar.


Antônio (Tonho)

sábado, 30 de maio de 2015

    
 NAU DOS MEUS SONHOS. 

Venha em minha nau de vento...
Levar-te-ei em lugares onde a razão jamais pisou.


É longe...
Quiçá perto...
Pode ser aqui...
É de nós, por dentro.

Para que tenhamos êxito
Começaremos por um beijo
Se houver a leveza do seu corpo
Flutue para o porto dos desejos
Embarcaremos ao preço de mil beijos.

Grandes conhecimentos não são necessários
É o bastante os corações enamorados...
...que clamam
... que chamam 
Quero-te sempre ao meu lado.

Ao primeiro porto atracado
Nós, eternos namorados
Passearemos de mãos dadas
Dar-te-ei dezenas de flores
Regadas a beijos
Com a essência perfumada de um amor a ser vivido.

No segundo porto
Terás ali todas as belezas dos sonhos
Um a um realizados
Como se desfolhássemos o bem-me-quer das quimeras.

Finalmente, chegaremos ao cantinho encantado
Ali, tudo é lindo!
Tudo é permitido e perfeito.

Entraremos no barquinho do lago
Rumaremos de encontro ao poente
Soltarei a poita
Você em meu colo sentada
Assistindo descambar do sol por detras do monte
Beijarei os teus lábios com suavidade
Quão  suave é o amor.

Voltaremos para nossa alcova
Nosso leito
Desnudaremos das nossas roupas, dos nossos pudores
Enveredaremos pelos caminhos dos desejos.

Saciados os nossos corpos
Como artes em movimento
Nós, no catre, ali como que jogado
você deitada em meu peito
Ouvindo do meu coração
A chamada do amor. 

O barulho se fez lá fora
É hora de irmos
A nau está a nossa espera
Até o dia que não mais precisaremos de ir embora. 

Antônio (tonho)

SOU EU.

Não me deixe para o amanhã!
Do ontem eu já me fiz distante
Colhi o meu quinhão de experiências
Construído por lágrimas e sorrisos.

Não me deixe para o amanhã!
Sou eu que...
...No ontem partiu sem caminhos
Pisando, horas em pedra, horas em espinhos.
Refrescando a minha dor
Nas pegadas sofridas
Nas areias molhadas da praia.

Sou eu que...
...Sofri as agruras
Das noites sem dias.
Dos sorrisos vazios nas ruelas, nos becos
Nos boutiques mal cheirosos,
Dos submundos da vida
Pobres diabos que ali são presentes
Entregaram-se a mercê da sorte
Sorrindo felizes a aproximação da morte.

Sou eu que...
...Assisti a mulher parideira
Sem teto, sem leite, sem abrigo e sem amparo.
Dividindo com ela a minha esperança derradeira
Neste dia sorri com a boca
Para que o coração em silêncio pudesse chorar.

Sou eu que...
...Junto a te, irmão meu,
Conheci, o frio, a fome, a sede e o desamor
Sempre com um fio de esperança
Naquela luz que permanece tímida, mas perene,
Porque ela é do Criador.

Sou eu que...
...ainda persisto na saudade
Das flores que por entre pedras e espinhos
Enfeitavam levando sonhos pelos caminhos.

Sou eu que...
...um dia me vesti de glorias
Mudei toda minha história
Vivi tempos de amor tão forte e tão profundo
Que nem os mais nobres dos homens
Gozou de tamanha felicidade.

Não me deixe para o amanha!
Careço hoje de seu amor
Quem sabe do amanha vindouro
Meu coração cansado da batalha e da espera
Não mais possa te amar.


Antônio José Tavares (tonho)
          Boa tarde a todos!
                                       TRISTE CONCLUSÃO.


           Há tempos atrás, fui convidado fazer uma palestra, cujo tema era alcoolismo.
           Era uma cidade pequena chamada de Carmo da mata.
           No dia marcado, ali esta eu, pontual como sempre.
Sentia-me meio apreensivo, até mesmo com uma certa insegurança.
Tudo isto ocorreu até eu começar a minha oratória.
No plenário havia mais ou menos umas oitenta pessoas, a maioria, com certeza, padeciam direto ou indiretamente, deste mal.
            Antes de me apresentar, roguei ao meu Divino Espírito Santo, que me desse, não belas palavras, mas que preenchessem os corações daquela boa e hospitaleira gente.
            Senti naquele dia, um calor gostoso, que aumentava à medida que eu ia dissertando.
            Ao término, tivemos alguns minutos de perguntas e respostas.
Foi uma saraivada de perguntas, o que muito me alegrou, respondi a todos com palavras simples, como é o meu pequeno vocabulário.
           Uma senhora, de mais ou menos cinquenta anos, levantou e disse-me que havia cinco anos que a família dela vivia felizes, que anteriormente sofreram muito com o alcoolismo do seu marido.  Olhei bem para aquela senhora, parabenizei-a pela sábia decisão de seu esposo. Ela surpreendeu a todos quando disse: - Não moço, meu marido não parou de beber, ele morreu bêbado. _Ela não economizou as suas palavras, deu um depoimento, emocionado e emocionante.
           A conclusão a que cheguei é que existem dois caminhos para o alcoólatra fazer sua família feliz, a primeira é parando de beber e a segunda é depois de sua morte.
                        É uma triste conclusão!

Antônio Tavares (tonho)

segunda-feira, 25 de maio de 2015



 EU QUERO UM BEIJO. 

Hoje eu quero um beijo
Estou carente
Não estou só.
O meu quarto infestado de sonhos esta
Os desejos desfilam pelas paredes
No teto um lustre que insiste revelar-me a solidão
No ar um perfume, tão forte, tão doce, de um amor a ser vivido.

Um pequeno sonho caiu em meu colo
Colhi um desejo, não muito grande
Que descuidadamente pousou em meu peito.

Deslumbrei você em minha cama
Sorriso lindo de mulher amada.
Seus lábios sensuais buscavam os meus
Apossei-me de uma dúzia, dos velhos sonhos, que incautos se moviam 
Senti o seu corpo se contorcendo em delírio
Suas mãos macias deslizavam pelo meu rosto
A chama ardente, do amor, se esparramava pelo meu corpo
Uma louca paixão desalinhava o leito
E eu, que só queria um beijo!

Lustre malvado
De espada incandescente
Despertou os meus sonhos
Eu só, aguçados desejos.

Tonhotavares. 
Boa tarde a todos!
     

QUANDO O SOL BRILHAR.

Quando o sol brilhar...
... Terei sido a sua real quimera,
... Teremos feito valer a espera,
... deste amor que nasceu escrito!

Quando o sol brilhar...
... Beijando-nos pela primeira vez   
... Nossos corpos entrelaçados
... Os grilhões do pudor já quebrados
... Perder-nos-emos por entre linhos e travesseiros.

Quando o sol brilhar...
... O gozo do corpo,
Cúmplice com o prazer da alma,
Elevar-nos-á ao paraíso,
Não mais teremos que dizer adeus!

Quando o sol...
... Há muito nascido, brilhar...
... Testemunhará o amor pungente,
a invadir os nossos corpos,
Mudando o tom de nossas vidas!
  

Quando o sol brilhar...
Mesmo que se faça noite,
... Este intenso e eterno brilho,
Veremos, advindas das nossas almas,
Desposados por um amor infinito!

Antônio Tavares.

quinta-feira, 21 de maio de 2015


FLOR-MENINA..

Minha flor pequenina!
Faceira e linda!
Tão frágil, tão menina
e, em minh’alma, plantaste o amor!

Não nascida em fofo e irrigado canteiro:
Foste forte,
foste guerreira.
Por entre pedras e espinhos,
cresceste na candura do amor primeiro.

Amo-te!
Oh! Flor do meu caminho!
Que o coração orvalha
com a essência renovada do encantado.

És, para mim, companheira.
Serei teu cultor
nos amanheceres do amor infindo.

Doravante, nossas vidas,
em sonetos, esparramados em versos,
na orla dos sonhos,
em nossos corações vão valsar!

NOVOS TEMPOS.

Invada-me, oh, brisa da madrugada!
Refresca este coração, que febril se desvaira.
Desperta os sonhos deste corpo, que na noite,
não se deixou adormecer;
Ouviu por horas
o suave cantar das estrelas,
que no céu, seus versos riscavam;
Ficaram cadentes de tantos desejos de minha alma liberta.
Assisti o silêncio frio da lua
vagueando pensativa
na imensidão dos sonhos desfeitos.

Invada-me, oh, brisa da madrugada!
Quando a alma é tomada de assalto pela solidão
acorda o corpo, adormecendo as esperanças.
Lá fora o silêncio.
No peito uma angustia atroz
que arrebata todos os desejos.

No cálice do fino cristal,
o fel.
Na bandeja de prata  d’antes
com o precioso vinho com sabor de paixão
que nos induzia aos mais deliciosos pecados,
agora apenas um bilhete no guardanapo de papel dobrado.
No arrebol da manhã,
Preguiçosamente, o sol com sorriso em ouro,
renova as esperanças ateadas.
A pequena missiva da bandeja é retirada...
Nela uma pequena mensagem:
_Não se entregue velho guerreiro.
Que bom que a tempestade passou!
Foi tudo um breve pesadelo
Renasce um novo dia
O sonho não acabou.


Antônio Tavares (Tonho)
     EM BUSCA DO SABER.

Levantei-me cedo
Sair em busca de respostas
Esquisito, não é mesmo?
Às vezes eu faço isto.

Desci até a nascente que corre por entre as arvores.
Fiquei ali a meditar...
De um lado água límpida e corrente a deslizar por sobre as pedras, gaiteando feliz em liberdade.
Do outro lado, um poço de água estagnada com folhas, pequeno pedaços de galhos que boiavam em suas águas. Baratas d’agua, entulhos, plásticos, ate cacos de vidro, eram o que povoavam aquele lugar.
Bem diferente da nascente de águas frias, cheirando a vida, que ainda caminhava para o seu futuro distante.
Meus pensamentos buscavam a entender aquele enigma. Seria eu igual a nascente que busco novos caminhos ou apenas um estagnado poço  triste, acompanhado dos mais sórdidos pensamentos?
Sentei-me, entre a nascente e o poço... como resolver aquele impasse?
O problema não era o que eu sou, mas o que eu quero ser. Deitei-me ali mesmo; fechei os meus olhos, a minha mão esquerda coloque-a nas águas límpidas; a direita, nas águas sujas do poço.
Em pouco tempo obtive a minhas respostas. Minha mão esquerda estava livre, balançava em deleite nas águas da fonte. A mão direita afundada entre água e lama. Um calafrio tomou conta do meu ser, retirei a mão. Lavei as mãos, tomei daquela água fresca.
Nesta hora, eu pude entender que, a inércia, não vai de encontro ao futuro, é como viver entre muros, alimentando ou alimentado pelos excrementos dos sentimentos menores.
Aprendi muito, mas não o bastante... Sabedoria não se alimenta de conhecimentos, e sim, de nossas ações. Voltei em casa, peguei uma enxada, voltando ali, abri um pequeno canal ligado às águas correntes, ao poço, que por algumas razão, eu ouvia  o seu pedido por socorro.  Em pouco tempo, aquele poço se tornou limpo, suas águas agora pura, acolhia uma grande quantidade de pequenos peixes. Era a vida de volta em abundancia. O poço garboso, não apenas por sua grande beleza, ele se alegra por ter se tornado muito mais profundo.

Antônio José Tavares.( tonho)    

    INVASOR DOS TEUS SONHOS. 

Inclua-me em teus sonhos
Arrasta-me pelos caminhos secretos dos teus desejos
Cativa-me em teu leito.
Absorva a virilidade do meu corpo
Fortaleça minha alma
Que por te se faz carente.

Quando em sono profundo estiveres
Chegarei na brisa fresca da madrugada
Tomarei de assalto o teu corpo
A tua boca ainda adormecida eu beijarei

Olhos nos olhos
Lábios nos lábios
Encanto-me com o brilho do teu olhar.

Eu em traje intimo
Tu com um penhoar vermelho transparente
Teu corpo atrevidamente 
Revelado pela luz do luar
Seduz-me
Enlouquece-me 
Perco-me na insanidade da paixão.

Carrego-te em meus braços
Conduzindo-a para interior do quarto
Suavemente desço-te ao solo
Abraçados, de rostos colados 
Ao som de um imaginário violino 
Dançaremos.

Desejos transbordantes
que exalam
Em nossa pele o cheiro do cio.

A razão é entorpecida
Levo-te para cama
Lençóis e travesseiro espalham pelo chão
Gemidos, gritos prazerosos
Ferem o silêncio.

No frenesi do amor
Me desperto, estou só!
Procuro-te, você já se foi
Percebo que não fui eu o invasor dos teus sonhos
Forte tu, que invadiste o sonho meu. 

Antônio (Tonho)
ESPERANÇA DO QUERER.

  
                             Eu queria...
...Um amanhecer de primavera
...Com flores silvestres revestindo toda a terra
...Assistir o reflexo do sol na gota de orvalho adormecida na pétala da rosa.

                             Eu queria...
...Desejar um bom dia para a vida
...Sentir o perfume de todas as flores, daquele imenso jardim florido.
...Sem camisa, no frescor da manhã, abrir os meus braços de frente para o sol, abraçar com carinho a mãe natureza.

                               Eu queria...
...Tomar emprestado centenas de flores
... Adentrar em casa de mansinho
... Invadir o seu quarto, onde você linda mulher, quase despida, em seu derradeiro sono, quem sabe nos seus sonhos daquele instante, seja eu o protagonista.
...Enfeitarei o seu leito, o espelho, o seu banho, com flores.
...Do quarto a cozinha, adornarei todo o caminho, fazendo de você mulher amada, a minha rainha.

                                  Eu queria...
...Acender o fogão a lenha, ferver a água em chaleira de ferro
...Passar o café em coador de pano, servi-lo em bule esmaltado, preparar a bandeja, com todas as iguarias da roça, pão de queijo, broa de fubá, de queijo, biscoitinhos, quebra-quebra e de polvilho, leite e o queijo, muitas frutas de época e levar tudo isto para você.

Eu queria...
...Acordá-la com mil beijos, satisfazer todos os seus desejos matinais, ir para banho com você, tomar café ali na cama, ouvir de você dizer... “eu te amo”
...Sairmos juntos para o campo, correr sobre a relva molhada, chegarmos à cachoeira. 
...Ouvir o gorjear dos pássaros que constroem ali o seu ninho, o gaitear da das águas que descem pela pedreira.
...Subirei pelo penhasco, colherei morangos silvestres, bem vermelhinhos, para você.
...Deitaremos na grande pedra, bem defronte a queda d’agua, lá onde as águas agitadas brincam num bailar incessante.
...Você deitada por sobre o meu corpo, olhos nos olhos, lábios sedentos úmidos, pedido-me beijos. 
...Suas mãos passeando pelo meu corpo, seus cabelos tocando a minha face, eu flutuando em naus de sonhos, sussurro em seu ouvido... Bom, pularei esta parte. 
...Apaixonados, nossos corpos se atracam numa jura de amor sem fim.

                          Ah!...Como eu queria!

...Para que tudo isto aconteça faltam... Você, o cenário e a cachoeira.
...O que eu já tenho guardados são... Eu, os sonhos e o amor sem fim.  

Antônio José Tavares (Tonho)

Boa tarde amigos! 


          = Meu amigo Pachequinho =

    Tudo começou nos anos oitenta quando pediram-me um trabalho de abordagem a um alcoólatra. Ele era um ferroviário aposentado, que havia se perdido nos encantos do álcool.
    Foi uma longa conversa. A princípio, ele se debateu, não queria falar sobre este assunto. Aos poucos, usando de sutileza, fui conseguindo tocar neste terrível mal, o alcoolismo. Pedi que ele ouvisse o meu desabafo, ele prontamente, pensando que iria me ajudar permitiu. Contei todo o meu drama de vida, por varias vezes fui interrompido, pois ele estava passando pelo mesmo drama. Aos poucos consegui localizar, nele, o veio de sua sensibilidade. Daí foi fácil convencê-lo a me acompanhar numa Sala de Alcoólicos Anônimo. Começou ali o seu novo ciclo de vida plena e produtiva.
    Conheci os seus filhos, dentre eles o caçula,  Pachequinho. Ele era um bom rapaz, inteligente, trabalhador, meio indomável, não aceitava nada de goela a baixo. Fizemos uma boa amizade. O tempo foi passando, o pai de Pachequinho se manteve firme até a morte, vinte anos depois.
    Mas aquele meu amigo fora apresentado ao álcool, foi um amor ao primeiro gole. Pachequinho se inveterou nas bebidas. Em curto espaço de tempo, ele se degradou tanto, que pouco sobrará daquele moço forte e inteligente. Deixou de trabalho, a família, os amigos e se ajuntou com aqueles colegas de infortúnio. Lutei desesperadamente para salvá-lo, mas foi em vão. Ele se tonou arrogante, prepotente, característica da doença do alcoolismo. Numa certa manhã, estavam eles, (Pacequinho e companhia), sentados a beira de um passeio, uma garrafa de cachaça entre eles, quando parou um viatura da polícia. Colocou-os de pé para revistá-los, meu amigo ficou olhado aquilo tudo com olhos de desprezo, sentia  muito importante para ser revistado pela policia.
   Um dos soldados chegou de frente a ele e disse: _ Sargento, este aqui esta armado. _Não senhor eu nunca usei uma arma, -retrucou Pachequinho. _Olha senhor o volume na altura da cintura dele.  _ Não senhor, isto ai é uma pequena protuberância. (uma hérnia umbilical).
_Não satisfeito o soldado mandou que levantasse a camisa. Ao levantar, o soldado assustou-se com o tamanho da hérnia e fez a infeliz comparação: _Nossa... Que tamanho! É maior que o meu pinto. –Pachequinho prontamente lhe respondeu:  Eu não tenho culpa se você tem um pinto tão pequeno. _Isto lhe redeu alguns empurrões, até mesmo  tapas na orelha.
Os soldados vendo que nada poderiam fazer ali, deram uma meia volta e se foram, deixando-os em paz a mercê do álcool.
   No ano de mil novecentos e noventa e nove, escrevi um livreto com o titulo, “TAJETÓRIA”. Apesar de uma pequena tiragem, fez um relativo sucesso aqui na redondeza.
    Certa manha eu estava passando perto da turma do gole e lá no meio, o Pachequinho, ao ver-me, parou-me, dizendo que ouvira dizer que eu havia lançado um livro, e que, algumas pessoas ao lê-lo, deixaram da bebida. Fiquei olhando para ele e senti um breve lampejo de esperança, que sabe agora é vez dele parar? Perguntou-me se eu vendia um livro para ele, eu disse que lhe daria um livro, com todo o prazer. Ele se irritou, disse que eu estava fazendo pouco caso, que ele tinha dinheiro e não precisava de esmolas. Com muitos dedos, fui contornando a situação, disse que ele era um dos meus melhores amigos, e que, seria um grande prazer presenteá-lo. Cheio de vaidade apresentou-me para os seus amigos, como escritor e um verdadeiro irmão para ele. No dia seguinte fui até a sua casa para lhe entregar o dito cujo. Sua mãe não me reconheceu e disse que ele não estava. Tirei o livro da pasta e entreguei aquela sofrida mãe, para que entregasse a ele. Ela gaguejou, depois admitiu ter mentido para mim, pensou que eu havia ido chama-lo para beber, pois aquele era o único convite que ainda recebia. Mas na verdade ele estava apagado, curtindo a sua ressaca.
    Dois dias se passaram, estava eu em uma reunião, fazendo a minha partilha, quando alguém invadiu a sala, era o Pachequinho e outro da mesma turma. Pedi a todos que ficassem calmos, convidei-os para se assentar bem lá na frente. Obedeceram-me e ficaram ali olhando para mim. Pachequinho rompeu aquele silêncio e disse que eu havia lhe dado o livro de presente e não tinha feito uma dedicatória. Abracei com ele, pedi o livro, disse que faria naquele mesmo instante. Coloquei o livro sobre a mesa, peguei a caneta e comecei a escreve. Pachequinho deu um grito e caiu no meio da sala em convulsão. Ligamos para o resgate, ele olhava-me triste, com olhos de despedida. Fui escrevendo a dedicatória e falando em alta voz para que ele ouvisse o quanto o amava. Quando terminei, pontue o texto com as minhas lágrimas, aquele Ser sofrido acabava de se libertar do seu sofrimento. Ele faleceu, era dezembro de mil novecentos e noventa e nove.
   Quando me lembro de Pachequinho, faço novas dedicatórias em voz alta e pontuo com as minhas lágrimas de saudade.

Antônio José Tavares. (Tonho)        

terça-feira, 19 de maio de 2015


ESPERANÇAS ATEADAS.

O porquê deste vazio?
Será o vôo rasante?
Ou será que o mergulho foi muito profundo?
Não sei!
Sinto-me fora do mundo.

O poeta sofre pelos intempéries da vida
Versa em fuga, suas tristes agonias
Entre traços e rabiscos
Traçado é o seu destino.

Alço vôos bem alto
Protejo-me do que me faz real.
Vaguearei em outras paragens.
Busco o meu cantinho encantado
Crio cenas memoráveis
Sempre ao seu lado da minha mulher sonhada.

Acredito na existência do amor
É este o sentimento latente
que percorre por todo o meu corpo
invadindo a minha alma.
Externo-me em versos.

Teimosamente mergulho fundo
Certeza, só dos meus sentimentos!
Retorno em vôos rasantes
Busco bem de perto o realismo dos meus sonhos.

A paixão é insana, cega-me
Trombo contra o muro
Machucado, estatelo-me no chão
Arrasto-me até o abrigo
Minhas asas estão quebradas
Perece meu orgulho
Abraço a solidão.

Sou poeta
Sou gado de invernada
Não me permito à morte
Luto!
Agarro o último fio da esperança.

O tempo oferece-me...
... A tinta, ao pincel e a tela.
Pinto um novo mundo em aquarela
Lento, bem artesanal
Construo as minhas novas asas
Mais fortes
Capaz de voar contra o vento
Preparo-me para amar.

Infinitas são as possibilidades
Frágil é o meu coração
Ele não ouvi a minha voz
Nem mesmo a da razão.

O muro se ergue bem distante
Tenho medo!
Sou um sonhador inveterado
Creio no amor verdadeiro
viajo em novos vôos
Mergulho cada vez mais profundo
Não me é importante quantas asas ainda terei que quebrar
Com certeza o muro, um dia, ainda hei de ultrapassar.


Antônio (Tonho)

SOU EU.

Não me deixe para o amanha!
Do ontem eu já me fiz distante
Colhi o meu quinhão de experiências
Construído por lágrimas e sorrisos.

Não me deixe para o amanha!
Sou eu que...
...No ontem partiu sem caminhos
Pisando, horas em pedra, horas em espinhos.
Refrescando a minha dor
Nas pegadas sofridas
Nas areias molhadas da praia.

Sou eu que... 
...Sofri as agruras
Das noites sem dias.
Dos sorrisos vazios nas ruelas, nos becos
Nos boutiques mal cheirosos,
Dos submundos da vida
Pobres diabos que ali são presentes
Entregaram-se a mercê da sorte
Sorrindo felizes a aproximação da morte.

Sou eu que...
...Assisti a mulher parideira
Sem teto, sem leite, sem abrigo e sem amparo.
Dividindo com ela a minha esperança derradeira
Neste dia sorri com a boca
Para que o coração em silêncio pudesse chorar.

Sou eu que...
...Junto a te, irmão meu,
Conheci, o frio, a fome, a sede e o desamor
Sempre com um fio de esperança
Naquela luz que permanece tímida, mas perene,
Porque ela é do Criador.

Sou eu que...
 ...ainda persisto na saudade
Das flores que por entre pedras e espinhos
Enfeitavam levando sonhos pelos caminhos.

Sou eu que...
...um dia me vesti de glorias
Mudei toda minha história
Vivi tempos de amor tão forte e tão profundo
Que nem os mais nobres dos homens
Gozou de tamanha felicidade.

Não me deixe para o amanha!
Careço hoje de seu amor
Quem sabe do amanha vindouro
Meu coração cansado da batalha e da espera
Não mais possa te amar. 


Antônio José Tavares (tonho)