segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

SONHOS EM NOITE LINDA.

Esta noite, colhi estrelas.
Com os raios de luar,
teci meus sonhos.

Ao longe, ouvia-se uma magnífica canção:
era assim como... como o cantar dos anjos.
Não me fiz de rogado:
montei no dorso de minhas quimeras
e fui em busca da canção
tão linda e tão pura!

Em meu sonho alado,
atravessei as colinas.
Vi os regatos de águas cristalinas.
as matas adornadas pela neblina.
Assisti aos trigais em ouro, dobrando ao vento.
Tudo era encanto
e puro alento...

Encantei-me com o quebrar das ondas do mar.
Corri pela areia da praia,
pisei em espumas.
Nada! Ali tu não estavas!

A música não se calava...
As ondas na praia me diziam...
Vai! Vai! Vai!

Novamente parti.
Meu coração quase sem fôlego,
buscava o que restou da esperança.
De volta para o meu abrigo,
a música insistia
‘inda mais bela.

Procurá-la?  Não sei aonde.
Sinto, que tudo o que quero
se esconde em  meus sonhos.

Em uma última tentativa,
mergulhei dentro do meu ser;
percorri longos caminhos,
embalado pela canção,
porém não me senti sozinho.

Cheguei ao centro dos meus sonhos.
Admirado! Nada de glamour!
Era um lugar tão simples
de tamanha singeleza, que transmitia paz.
Aquela canção ecoava por todos os cantos.
Ali também tu não estavas.

Comecei a organizar aquele lugar:
no centro, coloquei uma mesinha;
cobri-a com pano simples,
bordado à mão e muito carinho.
Sobre ela, um jarro de louça antiga,
cheio de flores, colhidas no jardim do coração.
Dois banquinhos,
uma cortina branca na janela;
vasinhos de violetas de todas as cores,
bem no cantinho da sala.
Ficou lindo!
Tão simples, como simples é o amor.

Tomei o caminho de volta.
Agradeci à lua e às estrelas.
Apeei das minhas quimeras,
adormeci-me com um leve sorriso.

Quando tu virás,
isto eu não sei, mas,
certo é, que, estarei sempre a sua espera.


Antônio Tavares.