terça-feira, 30 de dezembro de 2014

= A ROSA E O POETA =

Uma linda rosa ruborizada
Timidamente perguntou ao poeta:

“_Por que chora, poeta...
Pois, se vives sempre em sonhos?
És como um arauto,
Proclamando o amor.

Por que choras?
Seu recado foi entregue por mim, a sua Dulcinéia.
Para ela, foste altaneiro,
Cantastes em galanteio as mais lindas canções.
Recitastes trovas e poemas que deslumbraram meio mundo.
Vivestes todos os amores,
do mais puro e eterno ao mais profano.

Por que choras, poeta?
Se trouxestes do céu, as estrelas, a lua,
As nuvens, o sol com toda sua exuberância?

Então me dizes... Oh, Poeta!
Choras o pouco que perdestes?
Choras por palavras,
Que a mim não me cabe entendê-las?

Diz-me poeta...
Saudade, distância, despedidas,
Renúncias, amores não correspondidos,
Até mesmo a felicidade, o reencontro,
Ela... Quem sabe todos os seus dissabores serão “Ela”?
Ou seria tudo isso sinônimo de lágrimas?

Sabe poeta...
De ti, nunca me afastarei.
Serei partes das suas rimas.
O presente da chegada e da despedida.
Dar-me-ei por inteira, como inspiração matinal.

Não mais serei orvalhada pelo sereno
Que refresca as madrugadas,
Mas, acolherei as tuas lágrimas.
São elas péssimas, salgadas,
não trazem o frescor.
Certamente, trarão o brilho inspirador
Para os mais belos poemas.”

Respondeu o poeta:
“_Minha linda e querida Rosa,
Meu choro são sorrisos em lágrimas
Na busca incessante do conhecimento da alma.
O choro do poeta traduz
encanto, posta sorrisos e esperanças,
distribui e lança pelos ares, partículas coloridas de amor.
Serei sempre
um milenar vivente
Que às vezes, mesmo inconsciente,
Renasço em cada rabisco.”




Tonho Tavares