terça-feira, 19 de agosto de 2014

                             = Palavra de Rei =

    _“Há muitos anos, existia um reino onde a intriga e a inveja aniquilavam seus habitantes. O Rei, por sua vez, estava velho e sem forças para pôr fim àquela situação. Então, pediu a seus súditos que procurassem em todo o seu reino, alguém honesto e corajoso.     
    Depois de muito procurarem, trouxeram a sua presença um jovem. Ele era talentoso e honrado e seu nome era Cadin. Em pouco tempo, ele começou a colocar as coisas, nos seus devidos lugares. Primeiro, acabou com a corrupção e com o protecionismo. Todas as noites, antes de dormir, orava e pedia a Deus sabedoria para enfrentar os problemas do dia a dia.
    O Rei gostava muito de Cadin. Ele o via como o filho que nunca tivera. Os Ministros do Rei não estavam satisfeitos com a situação em que se encontravam, devido às medidas adotadas pelo jovem impetuoso. Começaram, então, a arquitetar um plano que eliminasse de vez aquela ameaça. Descobriram que, em suas antigas leis, estava escrito e aprovado que, todos aqueles que dessem esmolas, sem autorização de sua majestade, o Rei, deveriam ser enforcados. 
    Levados pela maldade de seus corações, pagaram a uma senhora que, com uma criança no colo, implorava por uma ajuda, alegando que a criança morria de fome. 
    Cadin, com seu bom coração, não pensou duas vezes, ajudando aquela pobre mãe aflita.
    Os Ministros levaram aquela mulher à presença do Rei, exigindo que se fizesse valer a lei.
    O Rei ficou muito triste, ele mesmo desconhecia a lei, a qual mandou derrubar, após o desfecho da situação. O Rei pediu, então, que esperassem até no outro dia, para que ele desse o veredicto. Sabia muito bem que a palavra de Rei não podia voltar atrás: o recurso seria condená-lo à morte.
    A noite toda pensou e orou, pedindo a Deus sabedoria. No dia seguinte, o Rei veio até seus súditos, acompanhado por Cadin. Ele proferiu a sentença porque todos esperavam ansiosos: 
    _Declaro, meu servo Cadin culpado e, como a lei manda, ele será executado por enforcamento. Eu ordeno que se cumpra a lei.    
    Os Ministros pularam de alegria, a execução tiraria aquele intruso que os importunava tanto com sua mania de honestidade. 
    _Entretanto - continuou o rei - por bons serviços prestados à coroa e à sua lealdade, darei a Cadin o direito de escolher a árvore de seu gosto, para que seja executado.
    E terminou dizendo:
    _Palavra de Rei não volta atrás.
    Conta a história que Cadin morreu de velho, pois jamais encontrou a árvore que servisse a seu propósito.
Tonho Tavares