quarta-feira, 30 de abril de 2014



                          = O mais caro presente do mundo =
      
           Era junho de mil novecentos e noventa e oito e parece-me ter sido ontem. Até hoje me emociono quando lembro os fatos ocorridos.
           Numa fria manhã, apesar do sol lindo, um vento gelado vinha do sul. Depois de admirar aquele lindo amanhecer, sentei-me como de costume, para tomar o meu café. O telefone tocou insistentemente. Levantei-me e atendi. Uma voz extremamente grossa desejou-me um bom dia. Aquela voz me era familiar, volta e meia estávamos a nos falar. Ele era um senhor de meia idade, personalidade forte, mas que tinha um extremo amor para com os outros. Todas as vezes que me ligava eu sabia que alguém precisava de meus serviços. Seu nome, Dr. Rocarate, delegado de polícia, com uma linda e intensa ficha de bons serviços prestados. Há algum tempo trabalhávamos em parceria.
            _Meu querido amigo, bom dia! _disse ele. _Estamos com um ‘pepino’ aqui na delegacia e carecemos de uma mãozinha. Posso contar contigo?
            _ Mas é claro, doutor! _respondi orgulhoso. Em que posso lhe ser útil?
            _Tenho um jovem detido, vítima do álcool e quem sabe das drogas. A mãe dele está aqui intercedendo por ele, me dá pena o quanto ela está sofrendo. Vou liberá-los, mas já disse a eles, de antemão, que você irá visitá-los, que se ele não lhe esperar e ouvi-lo eu o recolherei novamente. Podemos contar com você, não é?
            _É claro, doutor! Dentro de duas horas estarei lá. 
            Meu amigo se despediu de mim e eu, como sempre, fui ao meu quarto, fiz a minha oração, peguei a ‘Catarina’ (uma velha kombi) e fui em busca do indivíduo que, segundo o delegado, estaria muito agressivo.
             Fui até a casa daquelas pessoas, meu coração se manteve o tempo todo em estado de alerta, mas minha fé era maior que qualquer outro sentimento. Ao chegar, fui recebido por uma idosa senhora, que tinha uma enorme ferida na perna. Ela era diabética, hipertensa e ainda estava totalmente desorientada com o que aconteceria com seu filho amado. Apresentei-me a ela, pedi que chamasse o rapaz e que nos deixasse a sós, pois aquele assunto só dizia respeito a nós dois. Ela, receosa quanto à agressividade do filho, ficou a espreita. Depois de algum tempo ele entrou na sala, onde eu me encontrava. Meu coração acelerou mais uma vez e, baixinho, eu recorria a Deus. 
              Ele, com os olhos muito vermelhos, dava para sentir a vontade que ele estava de me dar uns tapas mas, mesmo assim sentou-se, olhou fixamente para mim e disse: 
               _ Se o senhor veio aqui falar dos meus problemas e vícios, a porta é aquela. 
               Orei baixinho, pedi ao Misericordioso sabedoria, e prossegui:         
              _Não vim aqui criticá-lo e muito menos lhe dar lições de moral. Queria falar com você a respeito da vida, pode me ouvir? 
              _Seja breve, não tenho tempo a perder. 
              _ Peço a você que me ouça, ainda que seja por caridade, quero fazer o meu desabafo, pode ser? 
              _Fale logo! 
              _Com a força de Deus comecei a relatar a minha vida, os percalços que eu havia sofrido. Em dado momento pude observar que os olhos, outrora indefinidos, agora rolavam lágrimas. Ao ver que encontrara o caminho da alma daquele menino dócil, embrutecido pelas substâncias químicas, viajei até o seu mais íntimo sentimento. Aos poucos ele foi se soltando e começou a fazer-me confidências, e senti que o caminho estaria livre. O muro do orgulho, da prepotência e arrogância havia desabado. 
             Terminamos a nossa conversa em família, sentados em sua cozinha tomando suco de acerola e comendo biscoitos. Lágrimas de mãe e filho foram nossas companheiras na mesa.
             Sai dali bem diferente de quando cheguei. Abraços e promessas que ele me esperaria à noite para levá-lo onde seria o início de sua caminhada. 
             Fui para casa, meu coração estava cheinho de Deus, meus olhos teimavam em chorar. À noite voltei, ele estava muito bem vestido, barba feita. Estava muito bonito, pois era um jovem de apenas vinte e seis anos. Ao sair ouvi muitas vezes, “vão com Deus! Que Deus te pague! Que Ele te abençoe!” Ficamos juntos até quase meia noite. Ele queria saber tudo, prestava atenção nos mínimos detalhes. Dias e dias repetimos a mesma rotina.
            Os meses se passaram, ele continuava andando impecável, cheio de sonhos, como deveria acontecer com todos os seres humanos. Na véspera do natal daquele mesmo ano, voltei à sua casa para desejar felicitações àquela boa gente. Ao chegar, a mãe dele estava sentada no alpendre e cumprimentei-a. Ela, por causa do diabetes, estava enxergando pouco e por isso não me reconheceu. Fiquei ali a conversar quando ele saiu lá de dentro, todo sorridente e disse: 
             _Mãe, a senhora não está reconhecendo este homem? Foi ele quem salvou a minha vida. É o seu Antônio, mãe, meu padrinho. 
            Nesta hora, ela se levantou chorando, me abraçou, e me disse:   
            _Seu Antônio, este menino hoje é outra pessoa, o senhor imagina que ele fez um curso de enfermagem só para tratar da ferida que eu tinha a anos na perna? E veja por você mesmo, estou curada! Isto eu agradeço ao senhor. Sabe, seu Antônio, eu queria comprar um presente para o senhor mas não consegui, ganho um salário mínimo e as despesas são altas. 
            Eu fiquei muito emocionado com tantas coisas boas que haviam acarretado em uma simples atitude, disse a ela que não devia se preocupar o melhor presente que eu havia recebido era a recuperação de seu filho. Ficamos ali durante horas, tomamos bastante café.  A tarde já era chegada, eu me despedi, não faltou o choro de alegria, mas o melhor ainda estava por vir, quando eu cheguei à porta, aquela boa senhora disse: 
           _Filho, não vou deixar de dar ao Seu Antônio um presente, vá até o armário e pegue um pacotinho de açúcar para ele. 
           Meu Deus! Ao pegar aquele pacote de dois quilos de açúcar, sabendo da situação financeira daquela família, não consegui nem  agradecer, abracei-os e sai em disparada chorando pelas ruas. 
           Cheguei à empresa de um amigo, pedi que me emprestasse o seu escritório. Ele, preocupado com meu choro, acompanhou-me até aquele lugar reservado onde, curioso e preocupado, perguntou-me o que acontecera. Aos poucos, as palavras começaram a sair, contei a ele o ocorrido, mostrei o saquinho de açúcar e juntos choramos. Foi o presente mais caro do mundo, não existe dinheiro que pague tal emoção. 

Tonho Tavares

terça-feira, 29 de abril de 2014


                        = Amar =

Eu quero um amor
que se eternize no amanhecer,
que sele com beijos
que se dá ao desejo do querer.
O coração planta as loucuras
que de emoção suspira
ao simples entrelaçar das mãos.

Não tem que ser perfeito
O amor a tudo dá jeito.
A ele, os trejeitos
que renovam, respiram e transpiram
o perfume inebriante da felicidade.

Que venha deitar-se com ternura,
Amar com loucura,
Acordar com o doce desejo
de ganhar um beijo
e se perder em carinhos...

Tonho Tavares
= Vento de amor =

Sou o vento que passa sussurrante.
Acaricio a tua alma.
Arrasto o teu corpo
numa branca nuvem.
Viajamos pelos campos,
flores, eu colho,
Com cipó amarro o molho,
o arranjo e o buquê
só para lhe ofertar.

Busco o vapor das cachoeiras.
Suas vestes finas no corpo molhado
suas curvas eu vejo,
uma bela visão.

Sou o vento que agora pára.
Materializo-me, busco seu sorriso.
Você, de braços abertos,
meu Deus... Isto é o meu universo.
Abraçando-te eu lhe confesso,
“não sou o vento...
Sou a brisa que te envolve,
e leva-te aos mais loucos sonhos”.

Tonho tavares

=Pensamento=

O desabrochar do amor
Às vezes é lindo!
Traz consigo o frescor das manhãs,
O arrepio do gozo,
O perfume das flores.
Quando cultivado, tudo isso, permanece.
Se maltratado,
Machuca a alma,
Coloca dentro do peito uma coroa de espinhos.
Cicatrizes profundas o coração padece.
É o perecer dos sonhos.

Tonho Tavares
= Amor Apaixonado =

Eu quero um amor...
Que busca os lábios.
Que do corpo se alimenta
e repousa sobre a alma.
Amor, com cheiro do alecrim do campo.
De simplicidade, de encanto,
Sem muros ou preconceitos.
Lúdico, mas verdadeiro.
Que seja Ele perene,
o coração faça sorrir.

Serei eu, o entardecer do sonho,
requintado cavalheiro,
erudito ou profano?

Uma incógnita a ser desvendo.
Se me perguntares quem sou...
Sou um homem
pelo amor apaixonado.

Tonho Tavares

segunda-feira, 28 de abril de 2014

        = Sempre amar =

 Não se apresse para amar!
À espreita, o amor está.
 Ele é como a chuva que cai,
Às vezes suave e macia
Rega e enfeita
Traz esperança
Traz vida.

Não tenha medo de amar!
Ele às vezes é intempestivo, 
Traz consigo ventos e trovões
No intemperismo é sofrimento atroz.
Mas vale enfrentar.

Não deixe de amar!
Tudo, e “tudo”, é passageiro
A chuva macia que cai,
A tempestade que arrasa.
Tudo passa!
Tudo se ajeita!

O sol chega calado
Aquece e alivia os corações
Colore de verde as matas
Enxuga as asas dos sonhos.
Como seus raios de esperança
Invade a vida.
Clareia os cantos que, até então, eram desconhecidos.
Do solo, agora preparado, germinaram vidas felizes.
Vale a pena... Vale sim!!!

Tonho Tavares
= Amor =

 Quero ir com você ao campo.
Correremos em meio às flores,
deitaremos com as mãos entrelaçadas,
sorriso solto, maroto,
que se apagaram ao fintar dos olhos.
Lábios trêmulos, molhados
caminham lentos.
Os olhos se apagam.
Lábios que se encontram.
Abraçamo-nos.
Unhas que riscam a pele.
Lábios que se separam
e murmuram... te amo!
Você se solta, corre, corre, sorrindo,
E eu a perseguindo.
Ouço como música o sorriso seu.

Chegando ao riacho,
Por entre as frondosas árvores,
brincamos de esconder.
Pela cintura eu a seguro,
Envolvendo-a em meus braços.
Você, toda dengosa,
no tronco da árvore se encosta,
fechando os olhos toda sinuosa.
Fim de perseguição,
dia de amar.

Tonho Tavares
=Sede de amar =

Em teus braços,
O aconchego.
A fina lamina dos teus olhos
Incisa o meu coração.

Prazerosa dor que invade.
A alma o coração se abraçam,
iluminando o corpo.
Os olhos se fazem néon.
O amor é despertado.
Suspira a vida.

Por que a sede do amor?
É a busca da pele o calor?
É o querer sentir saudade,
de quem ainda não foi?
Por certo, o prazer do corpo
e da alma no enigma
de um sentimento inexplicável.

Tonho Tavares
               =Sonhos=

Sonhei que a vida sorria...
Eu, débio, menino crescido
brincava de amar.
Relampejos de dor e amor
rondavam mina alma,
me calei.

Calar, afastar, fazer silêncio,
alma eternecida.

Da cova funda buscava
 o paraiso.
Vi meus sonhos se esvairem
com poeira.
Fiquei triste.

Meu Deus, se os sonhos voam,
voarei com eles.
Buscarei entre nuvem,
sedento de carinho, os beijos os desejos.

Da infantil ausencia, me farei estrela.
Pulirei meu próprio brilho.
Isano é o sofrimento.

Te encontrarei um dia, quem sabe?
Em flores, num versos lindo do poeta louco,
no bar da esquina, lugar, que importa!
Viver sem sonhos é loucura.
Sonho sem esperança
é solidão.

Tonho Tavares

                   = Desejo Ardente =

Hoje ao acordar, olhei para o teto.
Mais uma vez, visitava-me a solidão.
Ouvia-se
algazarra de pardais 
que a suas crias tratavam.

Estralei os lábios.
Com a língua
contornei toda a boca,
senti o gosto de mil beijos.

Noites de sonhos e desejos.

A pele ainda aquecida
do puro amor.
No ar, a essência do vazio.

Beijos apaixonados, com abraços
e desejos enlouquecidos.
Fronhas, travesseiros, lençóis,
em completo desalinho. 

Perfume de esperança,
penso eu,
de uma noite
sem regras e sem barreiras.

Serão os melhores beijos, 
aqueles que ainda estão por vir. 

Tonho Tavares
                                = NOITE DE AMOR =

Noite escura e vazia,
Cabisbaixa a lua se recolheu.

Sem amor as estrelas se foram
O negrume da solidão foi o que restou.
Uma descuidada lágrima
Pelo meu rosto despencou.

Meu coração eu procurava.
Lá no cantinho, quietinho, não mais pulsava,
Trêmulo, endurecido de medo,
Sozinho sangrava.

Fui à morada das estrelas
 Desnudas de brilhos,
Transformam-se em fadas
Dando-me várias sementes do amor.
Que ao mundo encantava.

A lua, companheira,
Que a constelação visitava,
Presenteou-me com os seus melhores versos
Que aos enamorados ela recitava.

O perfume... Eu ganhei das flores
 Que enfeitavam aquele jardim
Essências de rosas, cravos, lírios, violetas,
 E também jasmins.

O sol a espreita atrás do mundo
Compadecendo-se do coração que sangrava
Oferece-me uma caixa de brilhos
Aquecendo a madrugada.

Fui ao alto da colina
Num lugar que era só seu
Joguei ao vento as sementes do amor,
Os versos do luar eu recitei.

A essência de todas as flores
Atirei toda por ali.
Lancei o brilho do sol
Ao clarear foi que eu a vi.

Tomei-a em meus braços
Na colina, entre flores, dançamos valsa.
Vieram à lua e as estrelas em prata.
E a noite se fez de amor.

Tonho Tavares

sexta-feira, 25 de abril de 2014

                               = Amor em Devaneio =

Venha comigo, vou levá-la
ao mundo de sonhos.

No primeiro raio de luar 
faremos a nossa escalada.
Brincaremos de roda com as estrelas.
Sobre a lua dançaremos de rosto colado.
Som, apenas o do amor nos ouvidos solfejado.
No final do bailar, um beijo louco e molhado.
Beberemos, lá em cima, poesias mil,
que os loucos e apaixonados poetas,
caprichosamente deixaram-nas por lá.
Desceremos na grande colina
Lá, encontraremos numa pequena casinha,
onde a lua, por detrás estrategicamente, faz a sua retirada.
Tem um quarto simplesinho.
Uma pequena cama,
Uma mesa.
Duas cadeiras.
Dois criadinhos.
Nas janelas,
singelas cortinas de renda
branca, amarelada pelo tempo.
Um tapete de retalhos esparramado pelo chão. 
Um cabide na parede...
Pra quê?
Roupas rolaram pelo chão.
Amor desvairado, feito , perfeito.
Corpos suados.
Abrimos à janela.
No horizonte a noite se desfaz da negra cortina.
Sorrindo, o raiar do sol nos convida
a mais um dia de amor.
Será a eterna felicidade!

Tonho Tavares

quinta-feira, 24 de abril de 2014

                               = Amor no laço =

Deixe-me tocar a sua alma?
Invadirei a sua carne...
Deitar-me-ei na madrugada
dos desejos enluarados
a mercê de você.

Cubra-me, do frio, do arrepio.
Entrelace seus braços
no dorso meu doido de prazer.

Dos lábios, lampejos.
Os beijos umedecidos
são asas 
que transportaram-nos, com leveza,
ao infinito dos sonhos.

Brota da pele 
o sal molhado
que o amor tempera.

Se tudo isso for pouco,
darei uma de louco,
em um canto ou num quarto qualquer,
pegarei você no laço,
farei de você
a minha mulher.

Tonho Tavares
                        =  A flor e o caminheiro =

Linda flor a beira do caminho
Por entre pedras, pó da estrada e espinhos
Sem amor e sem carinho.
Donde vem tal beleza?

Quisera eu plantá-la em terra nova
De esterco farto
Fofinho
Tal e qual, do passarinho, o ninho.

Deixar-te ao abandono
É tão triste!
Colhe-te, é tão forte!
Indo em frente...
Quiçá...
Condeno a tua beleza, à morte.

_Diz-me, senhora dos encantos...
Eu, pequeno, para tal dilema...
Ao contemplá-la, já nem sei se é privilegio
Ou se a ti, sinto a dor da sua triste sorte?

_ Olá, amigo caminheiro,
Que em teus olhos desfilo-me por inteira
Cabe a ti o meu destino...
Colher-me ou transporta-me para o teu jardim.

Saiba, meu gentil amigo
Que não sou daqui, um mero acaso
Permanecendo, naturalmente, parecerá a minha beleza
Esparramar-me-ei em sementes
Formando, ao sorriso de Deus, o canteiro.

Sou como tantos de ti, amado caminheiro
 Que por este mundo rude nascestes
Trazendo consigo, em tuas almas, tamanha beleza
Que inspira os povos e a natureza.

Somos da terra o fruto
Após o desabrochar das flores
Não importa o terreno nascido
Somos por excelência
Por Deus, do amor cativo.

Vá em paz meu amigo...
Meu ciclo já se faz vencido
Em breve serei mil flores
Verás que jamais estive esquecida.

Contemple, ame, regue...
Busque na vida, toda beleza que há.
Terás sempre um lugar mais bonito
Se a vida, você aprender cultivar.

Que nasci em terreno bruto
É um fato que não escolhi
Perguntaste-me pela minha beleza
Tudo isto encontrei daqui.


Tonho Tavares. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014






= Mágico Coração =

Levarei a ti, por presente,
um mágico coração.
Fará mimos em sua alma
Arrancando-lhe sorrisos.

Fará você levitar
Se assim o permitir.
Recitará verso ao amanhecer
Deixará seu evento importante
Só para ficar com você.

Ele requer cuidados.
Mesmo que nada, ele lhe cobre.
Às vezes precisa de colo,
de afago, de amor.

Alimenta-se do arrepio da pele,
de ofegantes suspiros,
até mesmo das lágrimas
que a felicidade arranca.

Quando bater fraquinho,
A temperatura abaixar
Coloque-o dentro do peito.
Toda a magia irá voltar.

Se não quiseres este presente
Muito triste ele ficará,
Vai chorar baixinho ao relento
Até que alguém venha lhe buscar.

Tonho Tavares   
= O Amor =

O que difere o amor
É o teor.
Amor profundo,
move o mundo.
Amor sem jeito,
Dói o peito.
Amor bandido,
É escondido.
Amor safado,
De beijos molhados.
Amor comestivel,
Sustenta a vida.
Amor poético
Que rouba as estrelas,
Que alimenta a alma.
Amor atrevido,
Que joga no catre
E lambe o corpo que a alma assanha.
Amor possessivo,
Faz o corpo cativo.
Amor amado,
Que alça em sonhos
Mergulha na vida
cura as feridas
que o passado retalhou.
São infindos os amores.
Amor é sempre amor,
Não importa o teor. 


Tonho Tavares

domingo, 20 de abril de 2014

=AMOR SECRETO=

Na vida,
não há nada mais sofrido,
Que um amor entalado,
Escondido.
Que grita, reclama
E não é liberto.
Amor secreto,
Concreto,
Que respira e transpira
Que lateja na alma.
Que invade os sonhos.
Que ilumina ou escurece os nossos dias.

Quando estamos desacompanhados
ele esfola  o coração.
As lágrimas fazem fila
Meio que deseducadas
Atropelam umas às outras.
Estreitam o ambiente
Massacrando o corpo.
Torturam a carne,
Matando-nos a cada segundo.
O amor é animal selvagem,
Indomável,
De asas, alado.
Não nasceu para o cativeiro.
Não se adestra.
O amor gosta de banquete,
Não sobrevive de migalhas.
O amor livre encontra-se com a felicidade.
Reprimido, é a dor da desilusão.


Tonho Tavares
                    = Tempo para amar =

Transporte-me em seu olhar
no seu corpo, faz-me morar.
Será sua boca
ao certo,
o meu poço dos desejos.

São tantos sonhos por viver
Tanta pele a se tocar
Tantas palavras
no celeiro pedindo guarida,
Que arrepiam como o toque
Que extasia
O corpo
E a alma faz gozar.

Que importa se foi no ontem
Ou no amanhã,
Se tudo se resume.
Do tempo só se vive o agora.
Não permita que se esvaia como o vento.
Todo isto é só o momento eterno que temos
Para amar.


Tonho Tavares

sábado, 19 de abril de 2014

                           = QUERO VOCÊ =

Quero você, 
minha flor viçosa,
que um dia, faceira e prosa,
cresceu em meu jardim.

No lirismo do anelo,
será sempre a mais bela
que, em mim, impera
seu perfume de jasmim.

Serei o seu paraíso.
Meu amor é sem juízo,
cresce e brota sem perguntas
maltratado-me o coração.

Se um dia me quiseres,
por favor, não se revele,
sentirei na própria pele,
o amor que vem de ti.

Buscarei para o meu leito,
Terá do amor
o mais perfeito
que guardei pra ti.

Deixe-me ser o teu amante,
será sempre uma constante...
noites lindas de paixão.

Tonho Tavares
                              = Amor Apaixonado =

Eu quero um amor...
Que busca os lábios com desejo.
Que do corpo se alimenta
e repousa sobre a alma.
Amor, com cheiro do alecrim do campo.
De simplicidade, de encanto,
Sem muros ou preconceitos.
Lúdico, mas verdadeiro.
Que seja Ele perene,
o coração faça sorrir.

Serei eu, o entardecer do sonho,
requintado cavalheiro,
erudito ou profano?

Uma incógnita a ser desvendo.
Se me perguntares quem sou...
Sou um homem
pelo amor apaixonado.

Tonho Tavares

sexta-feira, 18 de abril de 2014

                   = Viagem do Sonho =

Estou a bordo do meu sonho.
Aqui eu sou a tripulação.
São meus passageiros...
A lua, as estrelas, as flores e tudo que há de mais belo.
Faço do sonho uma quimera.
No comando meu coração em anelo.
Por horas,
Como um zepelim amarrado,
eu, a sua espera.
Aqui tem jantar a luz de velas
Tem dedos que se entrelaçam
que contornam o seu rosto
Beijos enamorados
regados a olhares insinuantes.
Tem sala de estar
com grandes almofadas que nos convidam
aos carinhos a luz do luar.
Tem banheira, que as estrelas no teto,
Fazem ornamentar.
Ali, sou eu massagista,
Eu sinto-me seu artista
Eu de abraços molhados
De beijos desejados
De colo que carrega
Regando o tapete
molhando os lençóis.

Vou soltar as amarras
Já lancei a escada
Vamos viajar?

Tonho Tavares

quinta-feira, 17 de abril de 2014

                  = MOMENTOS DE AMOR =

Vamo-nos perder na cama.
Sentir o prazer se exaurindo em suor.
Entrelaçados em murmúrios e abraços,
aperta o laço, o nó, que nos une em um só.

Nos teus lábios ouvirei os seus mais
secretos segredos.
Para meu corpo, farei o enredo,
e fantasias rolarão.

Nossos corpos pujantes,
ardentes em chamas,
unhas que a pele riscam,
Loucuras que alma arranca.

Amor amado, amor sonhado,
amor feito,
amor satisfeito.
Momento inebriante
Em profunda dormência,
os nossos corpos silenciam.

 Tonho Tavares
                      = Mudanças =

Quero mudar meu traço.
Vi o nó soltar do laço.
Escorreguei-me em lágrimas.
A dança perdeu compasso.

O cálice, a mesa, o garçom, a fantasia,
Evaporaram-se como magia. 
Eu só, girei pelo salão vazio, numa valsa 
sem chão, coração sem rítimo.
Eu, em monologo, me ouvia,
Não era murmúrio, nem poesia,
era o soluçar da alma.

Quero mudar meu traço.
Não quero nó, nem laço.
Vou me valer do amor.
Soltarei meu querer ao acaso,
em curto ou longo prazo,
quem sabe, eu encontre ali, o meu ninho,
com beijos, desejos e carinhos,
juntos, a dona felicidade.

Tonho Tavares
                = Meu mundo =

           Quem sou eu...
Perco-me em meu mundo interior.
Meus sorrisos e lágrimas sem harmonia
tem sentidos diversos
num misto de emoções.

Quem sou eu...
Que por entre o espaço e o tempo vagueia
Transcende-me os meus sonhos
busco a ilusória realidade.

No abandono da minha carne
Sou eu, o terreno baldio
Fantasmas invasores gargalham
À esperança e a fé, preenchem todo o vazio.

Distribuo o amor
colho saudade.
Felicidade é um estado de maturidade
Que a alma sem idade
Faz a vida renascer.


Tonho Tavares. 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

= Amor Desejado =

Eu quero um amor
que não seja pequenino.
Que saiba voar nas asas
dos sonhos.
Que busque em qualquer canto,
o encanto que em seus olhos
Já existe.

Amor que saiba subir ladeira,
Que transponha as barreiras,
Que brigue com a saudade e
Que abrace com força a felicidade.

Seria uma utopia,
um sonho maluco de poeta,
ou um desejo 
de uma alma criança?

O nome que se dá, pouco importa.
Buscarei na porta,
ainda que em outras vidas,
o amor que for para mim.

Tonho Tavares
               = CANTE UMA CANÇÃO =

Cante uma canção para mim,
Daquelas que falam de flores,
De amores,
De perfumes,
De uma saudade enternecida.

Quero deitar em seu colo,
Sentir o som do seu corpo,
Seus lábios, beijando a minha testa
Acariciando o meu rosto,
Deixe-me, fingir que dormi.

Permanecerei por alguns instantes,
Buscarei carinhosamente
O seu pescoço,
Beijarei suavemente a sua boca,

Num momento inesquecível.

Tonho Tavare

terça-feira, 15 de abril de 2014

              = Brincar de Amar =

Vamos contar as estrelas
 Assistir a lua
 que por entre as nuvens vagueia.

Abraçar fortes
Beijos molhados e demorados
Brincaremos de amar.

Deitaremos ao relento
Corpos em chama
Que chama
As caricias do amor.

Cole seu rosto em meu peito
Ouça o coração que clama
E chama
A chamada da paixão.

Cobriremos com o manto negro da noite
Sentiremos o açoite
Da brisa que vem do mar.

Não será esta noite eterna
Eternos nós seremos
No doce desejo de amar.

Tonho Tavares
                        = Dia de amor =

Desperta o dia.
Os pássaros cantam para suas amadas.
A manhã vem raiada.
No jardim uma gota de orvalho
rola preguiçosamente pela longa folha do capim.

Borboletas, beija-flores e abelhas
Trabalham felizes,
retirando o néctar e semeando o pólen.
Cravos, dálias, lírios e rosas
Dançam felizes ao sabor do vento
 Aquele belo momento que é por Deus abençoado.

Eu, da minha janela, maravilhado, a tudo assisto.
Em meio a tanta beleza, ali está você,
De cócoras numa animada conversa com as plantas.
Meu sorriso de felicidade busca o teu olhar.
Lindos olhos, lindas flores,
Olhos e flores, lindas cores.
Vou até o jardim.
Pego-te pela mão e delicadamente a levanto.
Beijamo-nos deliciosamente.
Dançamos ao som dos nossos olhares,
ao ritmo intenso do amor magia.
As flores dançam abraçadas ao vento.
O dia se faz em festa.

Tonho Tavares
                    =Amor emoção =

Amar, a só...
Amar você, só...
Amar, amar e amar.
Prenderei uma flor em teus cabelos.
Com os lábios, farei rastros em teu pescoço.
Em teu ouvido sussurrarei, amor.
Beijar-te-ei com desejo.
Sentirei o gosto de céu,
saliva ou mel.
Ser o tudo, o talvez ou nada,
o que importa?
É um misto do lúcido e loucura,
É o suave vento que nos transporta
ao mundo dos sonhos.
Amar é o libertar da razão,
é tornar-se por inteiro emoção.

Tonho Tavares
                     =Meu Sonho=

Quero ser o teu verso!
O teu universo é muito para mim.
Quero ser o teu sorriso,
tuas manhãs das quatro estações.
Das noites, quero ser o perfume
que espalha pelo teu copo
E alimenta a tua alma.
Sei que sou pretensioso,
mas é tão gostoso,
viver à espera
desta bela ilusão.
Só, 
Sou feliz, mas não me basto.

Tonho Tavares

segunda-feira, 14 de abril de 2014

                       = Seus Olhos =

Eu quero estes olhos
Que meu corpo desnuda
Que penetram minh’alma
e os sentimentos revelam.

Olhos que percorrem caminhos,
Que buscam o ninho,
Que concedem o corpo
Ao gozo do amor
se amortece ao prazer.

Olhos que recitam versos
Que trazem do universo
Uma estrela só pra mim.

Eu quero...
E como quero! 

Se me deres estes olhos...
Dar-te-ei...
...o meu corpo, 
...minha alma,
...meu sorriso. 
Se tudo isso for pouco,
eu darei de troco
o meu coração, só pra ti.

Tonho Tavares.
     = Coração Apaixonado =

Não tenho o mar!
Nem mesmo as estrelas eu pude adestrar.
Caminha livre o vento,
leva junto os meus pensamentos.
Criaram asas, os meus sentimentos,
deixando-me tão somente as conseqüências.
Guardei no peito fechado o meu coração.
Este não! É meu! Só eu posso dominá-lo.
Veio você de mansinho,
Fez nele carinho prendendo-o com um laço.
Minha dor foi ignorada.
Tornou-se senhor de seus próprios desejos.
Que ingrato!
Socorre-me poesia... 
Quero meu mar de volta,
a minha estrela guia,
o vento e meus pensamentos,
até os meus sentimentos.
Meu coração eu não mais o resgatarei.
Coração... Pra quê? 
Se não quiseres o meu roubado
A ti, eu o darei.

Tonho Tavares
                     = HISTÓRIA DE AMOR AO PRÓXIMO = 

 Meus amigos, vou lhes contar uma hitória que me foi contada quando eu era ainda criança, pelo meu pai que, por sinal, era um grande jornalista do interior. Espero que sirva como reflexão em suas vidas. 
     Vou contar a vocês uma parte da vida deste verdadeiro missionário que hoje vive do outro lado da vida. “Padre Zico, desde criança, viveu em missão de fé. Cuidava dos necessitados, sempre disposto a ouvir e a aconselhar a todos que o procuravam. Desprovido da avareza, com uma vida ligada simplesmente à espiritualidade, doou todos os bens que recebera de herança aos pobres.
    Por mais que ocupasse seu tempo nas suas tarefas do dia a dia, não conseguia ser feliz. Sentia uma tremenda vontade de morar e viver em uma ilha onde viviam leprosos. Naquele tempo, o hanseniano era retirado da sociedade, vivendo o resto de seus dias ‘a mercê da própria sorte. Por várias vezes, tentou convencer o bispo de que o liberasse para aquela que seria sua verdadeira missão. O religioso amava com toda as suas forças aquele bom pastor e emissário de Deus. Este, por sua vez, argumentava de todas as formas, numa tentativa inútil, de convencê-lo a ficar. Por fim, vencido pelo cansaço, perguntou-lhe o seu superior: 
    _Padre Zico, o senhor tem consciência dos tributos que pagará com essa atitude? O senhor sabe que uma vez nesta ilha, jamais poderá retornar? 
    _Sim, disse o santo homem esperançoso. 
    Não tendo mais argumentos, mesmo sabendo que seria a ultima vez que veria aquele santo padre, deu-lhe a permissão. Despediram-se com um abraço fraterno. Padre Zico beijou a mão de seu bispo e amigo, partindo em busca da sua verdadeira tarefa.     
    Era uma viagem longa de navio mas, para o padre, nada nem ninguém poderia afastá-lo de seu sonho. Por fim, chegaram. Um pequeno bote veio até o navio para apanhar os suprimentos que, periodicamente, lhes eram entregues. Qual foi a surpresa daquela boa e infeliz gente, ao descer um padre, junto aos suprimentos. Foi, para a colônia de leprosos, um grande motivo de festa. Festejaram durante toda a noite. Os dias se passaram e o nosso bom padre a todos atendia, ajudando a cuidar dos enfermos, dando banho nos paralíticos, rezando por todos eles.
    Nosso bom homem, no entanto, não conseguia ter uma alegria plena. Sentia que, embora fosse aquilo que ele queria, ainda lhe restava um pouco de orgulho e de preconceito. 
    Uma certa manhã, quando se preparava para a celebração matinal, observou que havia cortado o seu dedo e não sentiu dor, pois ele havia contraído a lepra. Uma imensa alegria tomou conta de sua alma, e, no início de sua celebração disse:
    _Irmãos, agora sou um de vocês, a barreira foi rompida.
    _E, assim, naquela manhã celebrou a melhor e mais bela missa de sua vida.”
    Este é um belo exemplo para todos nós. Tende a provar que, só através da igualdade, podemos encontrar a plena felicidade

Tonho tavares.

domingo, 13 de abril de 2014

= Solidão e sonhos =

No meu quarto gritava a solidão...
A noite escura a minh’alma torturava.
Meu sono por ela fora furtado.

Nas asas do sonho tentei voar...
Não tive teto.
Na caixa negra da solidão
Enclausurou-me.

Acendi as luzes, admirei-me...
Espalhadas, rasgadas, estavam as minhas fantasias.
Pelo chão, máscaras do dia a dia.
Eram milhares, todas em absoluto desuso.
Algumas até quebradas.
Experimentei várias
No meu rosto... não mais quiseram ficar.

Minutos de sofrimentos atroz,
Horas de tortura eterna.
De tédio, pensei ter perdido o encanto da vida.

A espada salvadora do sol
Atravessou a fresta da janela.
Corri ao seu encontro, abri as venezianas
suspirei aliviado.
Ele, em seus trajes reluzentes,
medieval cavalheiro, aqueceu a meu ser.

Do lado de fora crianças brincavam.
Pássaros, céu azul, felicidade, vida...
Tudo estava ali desde sempre.
Descobri que mergulhei tão fundo na minha tristeza
Que libertei a solidão
Tornei-me cativo.

Só eu poderia expulsá-la.
Tomei um belo banho
Desfiz-me da barba
Perfumei-me, fiz mimo em meu coração,
Cantei...
“Oh tristeza, me desculpe,
Tô de malas prontas
Hoje a poesia veio ao meu encontro
Já raiou o dia
Vamos viajar”.
Sai para um mundo
Sem fantasias,
Sem máscaras, mas
Recheado de sonhos.

Tonho Tavares

sexta-feira, 4 de abril de 2014

           = Por falar em amor =

Devo falar de amor...
O desamor invade e violenta este mundo de meu Deus.
Amor não é utopia
É o lado puro da alma resplandecida de paz.
O amor pleno, não se limita a coisas e pessoa
Não faz concepção ou escolhas
Não castra, nem reprime
“Ele” é livre, tão livre quanto ao vento.

O amor é o caminho iluminado que nos conduz a paz.
Queria eu, filtrar minha alma
Despoluir a áurea que o tempo contaminou.

Deus, quando o homem criou
Depositou em seu ser
Um pouquinho da sua própria essência.
Contudo, nos deu um livre arbítrio, com tal liberdade
Que por ser e ser, ser humano
Outros sentimentos menores viemos a conceber.
Aprendeu a “amar” com posse
Escravizar, mutilar, matar...
Viver a busca de valores ilusórios, podem nos levar ao eterno vazio.

Ser feliz é crer no amor...
...é ultrapassa a barreira do seu eu
fazendo-se parte integrante de um todo.

Quero falar de amor
Amor meu
Amor seu
Amor nosso
Amor de Deus.
“O amor é o vinco da perfeição”


Tonho Tavares

quinta-feira, 3 de abril de 2014

                = Orgulho e egoismo de mãos atadas =

    Há muito tempo, vivia senhor Francisco, numa sociedade onde a lei era viver a qualquer custo. Ele era um jovem, (fruto dessa sociedade) que lutava bravamente para sobreviver. Seu pai, que também era parte dessa sociedade, comentava com os outros orgulhosamente: “este garoto vai longe”! 

....Criado desta maneira, no mundo que dizia apenas “mais!” desconhecia por completo algumas palavras como: dividir, amar, dar e receber. Ele, na verdade, conhecia o “toma lá e dá cá”. O único objetivo era o poder. “Faça isso, faça aquilo, eu mando, pois sou eu quem está pagando”. Seu egoísmo era uma rocha. Cego e surdo, jamais teve tempo para alguém e, em pouco tempo, chegou ao ápice. Seu pai, agora idoso, polido pelo majestoso e poderoso tempo, formado na faculdade do sofrimento, tentava, inutilmente, ensina-lo, para que eu não sofresse tudo que havia sofrido, por desconhecer os verdadeiros valores da vida. Nessa altura dos acontecimentos, havia em seu pensamento apenas uma meta: o poder. Foi então que idealizou a construção desta casa. 
    Seu velho pai, antes da grande e última viagem, certamente, em suas orações, pedira ao Pai que o mostrasse o sentido da vida. É, meu amiguinho! Ele realmente completou sua obra. Tudo começou quando resolveu construir a sua fortaleza. Queria um lugar onde ninguém ousasse importunar-lo. Construio a sua casa toda fechada; os muros com mais de três metros de altura, que garantiriam a sua santa privacidade. Ele não percebia que aquilo não era privacidade. Era, na verdade, a mais completa solidão.
    Arborizou seu pomar com árvores frutíferas e arbustos ornamentais, para enfeitar de flores aquele paraíso somente seu. O tempo passou, suas árvores frutíferas cresceram, mas não davam frutos; as ornamentais, nem botões de flores, por incrível que pareça, nem mesmo os passarinhos cantavam ou faziam ali os seus ninhos. Realmente, era a mais triste solidão. Resolveu fazer uma longa viagem. Queria fugir para longe, tentando procurar, seja lá onde fosse, a tal de ‘felicidade’. Rodou meio mundo, procurou aqui e ali, mas, nada de felicidade. Pensou consigo mesmo: _‘Meu velho pai devia estar caducando, antes de passar para o outro lado da vida, disse que eu precisava mudar de vida, e eu mudei. Estou viajando há tempos, coisa que jamais fiz. Procurei conhecer todas as Sete Maravilhas do Mundo e, na verdade, não me empolguei.’ Comecei a questionar: porque todos estão maravilhados e só eu não consigo ser feliz? _Resolvieu voltar para casa. Não adiantava procurar este obscuro Deus de que seu pai falou tanto antes de partir. Se este Deus quiser, Ele mesmo o encontraria.
    Naquele mesmo dia, juntou suas tralhas frustrado e sentindo-se o mais infeliz dos homens, voltou para continuar sobrevivendo, até o final de seus dias.
    Quando cheguou a sua casa, deparou-se com um quadro que jamais pensará que pudesse acontecer: uma grande tempestade havia derrubado o muro e, mesmo com toda estrutura e tamanho, ele não resistira à força da natureza. Meus amigos, isso ainda era pouco, diante do que ainda viria a acontecer. Quando chegou ao quintal, pude ver suas árvores cheias de frutos e flores, crianças que brincavam subindo e descendo das árvores, pássaros que fizeram ali seus ninhos, fixando aqui suas moradas. Ele experimentou naquele momento, uma sensação indescritível. Passou então a contemplar a importância das crianças, dos pássaros e também a sua. Perceberá que, involuntariamente, havia proporcionado a pintura de um belo quadro, com que jamais sonhara.
    Olhou para uma jabuticabeira, onde uma pequena criança se esforçava para subir. Pode reparar que aquela criança estava com o cotovelo e antebraço machucados e sujos de sangue. Ficou com muita pena, sentimento estranho para ele. Então, foi em direção a ela, para ajudá-la a subir na árvore. Quando se aproximou daquela pequena criaturinha, comentou: _‘Filho, você se machucou todo. Por que não pediu para que o ajudassem subir?’ Ele surpreendeu-me com sua resposta:
    _Não, tio Francisco, na verdade, não me machuquei tentando subir em sua árvore! Estes arranhões em meus braços, eu os consegui há tempos, quando tentava pular o seu muro! Eu sou aquele que o procura para lhe dar felicidade. Eu sou o filho de Deus.” 
    Ao ouvir esta narrativa, chorei.

O egoismo constroe muros enorme envolta de nós. Devemos deixar sempre um grande portão, aberto, para que entre Deus, atravez da humildade. 


Tonho Tavares
           = CULTIVA-ME =

Cultiva-me com carinho...
Se me cultivas
Me cativas.
Serei o fruto do seu amor.

Aduba-me com o seu sorriso.
Irriga-me com seus beijos.
Para que o sentimento cresça,
dê-me a alto estima.
Colha-me com seus braços.
Saboreia-me com a sua boca.
Armazena-me em seu corpo
Alimenta-te do meu melhor
Quando de mim,
Nada mais restares
Recolha as minhas sementes
E cultiva-me novamente.

Tonho Tavares

quarta-feira, 2 de abril de 2014

                   = Amor incerto =

Deite-se no peito. 
Ousa o clamor do meu coração.
Falaremos sobe o nosso dia
Sobre os dissabores
Os desamores
E o acumulado amor
Que guardei para ti.

Deixe...
 ...que suas mãos escorreguem pelo meu corpo.
...que eu beije seus lindos cabelos
...que eu me entrelace 
em seu corpo inteiro.

Sua pele macia
provocará os mais loucos desejos.

Se sentires febril
Dar-te-ei mil beijos.
Se me queres,
Não sei ao certo.
Amarei você tanto mas tanto,
que, não me importo se o futuro for incerto.

Tonho Tavares