sábado, 29 de março de 2014

          = Virtude =

Hoje eu me vesti de amor!
Ganhei um beijo do primeiro raio do sol.
Não satisfeito, gritei bem alto...! Bom dia, vida!
Ainda insatisfeito,
Orei ao meu Deus do Universo.
Fiz uma longa prece,
Foi em vão!
Peguei o velho violão, 
Dedilhei algumas canções.
Desapontei-me!

O que fazer diante de uma situação tão estranha?

Beijei e abracei todas as criancinha que encontrei.
Ajudei a todos que passavam pelo caminho.
Trabalho incompleto... piscava em meu visor.
Desiludir-me? Jamais!

Fui ao asilo, abracei todos os velhinhos.
Sorri com eles, contei-lhes histórias.
Curei a patinha do cãozinho abandonado.
Tornei-me cupido para os namorados.

Que dor...! 
Dor do vazio, de uma alma faminta.

Desanimado, assistindo em pranto ao escoar do amor
Em um terreno baldio sentei-me.
Reguei a terra com as minhas lágrimas.
Brotaram em minha volta o verde da esperança.
Com ternura, fui abraçado pelo amigo sol.
Uma brisa leve e fresca trouxera as crianças, que carinhosamente, 
Beijaram-me o rosto,
Velhinhos, entoando cânticos de amor, enxugaram,
Meus inchados olhos que até então, teimavam em não mais parar de chorar.
Ao lado, uma grande árvore,
Que balançava ao vento, pôs-se a acariciar-me os grisalhos cabelos.
Agradecendo a Deus pelos mimos, fechei os meus olhos,
E sonhei acordado.
O cão, com a pata curada, faz-me afago.
 Uma linda jovem, de olhos angelicais,
Aproximou-se, pegando-me pelas mãos, levantou-me, 
Beijou a minha suada fronte, com uma voz suave,
Entoou uma canção e disse-me:
“Receba sua mortalha do amor. 
Sou a Vida, tudo que fazemos está registrado.
Todos no universo são amados,
Mas só recebe amor, aquele que é capaz de amar.
Há mais virtude em saber receber, do que em doar”.

TONHO TAVARES