quarta-feira, 31 de dezembro de 2014


= AMOR ROUBADO =

Dos lábios teus, empresta-me,
O sorriso.
E dos olhos teus,
O fio cortante
De um amor infindo.

Empresta-me os teus sentimentos,
Deixa-me invadir
A tua alma,
Como um bom garimpeiro,
Com a grande bateia,
Ateio o teu amor.

Quem sabe neste momento emprestado
Do teu lado, eu possa estar,
Como um bom ladravaz
De sentimentos,
Teu coração eu roube
Para que tu possas me amar.


Tonho Tavares

=VOCÊ O AMOR E EU =.

De repente...
O mundo vazio ficou.
Em todas as direções eu olhava
E só, eu estava.
O estranho som do silêncio
Confundia-me.
A lua e as estrelas brilhavam como nunca...
Brilho frio.
O sol veio ao seu tempo
Brilho intenso
Sem calor
Sem frio
Sem vento.
As flores de formato lindo, apáticas,
Sem perfumes
Sem graça
Sem cor.
Meu coração estava fértil
E baldio.
O corpo sem suor, sem cheiro.
Tempos difíceis
Sem dor
Sem cócegas
Sem amor.
De repente, uma explosão...
Acordaram a alma e o meu coração.
Quanto brilho, quantas cores, quanto perfume.
Você, vestida de branco, toda molhada,
Roupa no corpo colada
Revelava a beleza de uma nudez coberta.
Ajoelhei-me na relva, minhas mãos para o alto,
Agradecia ao Senhor!
Você chegou devagarzinho
Consciente, sabedora do que fazer.
Tomou-me pelas mãos, levantou-me.
Abraçou o meu corpo trêmulo.
Beijos, carinhos e abraços.
O mundo retomou toda sua exuberância
Perdida.
As pessoas encheram o planeta.
Mas, em nosso mundo lindo,
Ficamos você, o amor e eu.


Tonho Tavares

= VEJO O AMOR =

Muito lindo, eu vejo o amor!
Com candelabro de estrelas, ele se veste.
Adorna-se,
De luar, de flores,
De cascatas,
De sorrisos e músicas.
Do silêncio que pede beijos.
De corpos que se abrigam.

Amor que as mãos entrelaçam,
que sussurra canções,
Que se desvaira em prazer.

Não é uma utopia.
São abraços, beijos suaves,
num gostoso ritual nas despedias.
Beijos cálidos que enfeitam a chegada.
Palavras ditas, que colorem um arco-íris.

Quando eu abro os olhos
E deparo-me apenas com o muro
Volto a fechá-los e escalo,
Busco de volta o meu abrigo.




Tonho Tavares

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

= VIAGEM DO SONHO =

Estou a bordo do meu sonho.
Aqui eu sou a tripulação.
São meus passageiros...
A lua, as estrelas, as flores e tudo que há de mais belo.
Faço do sonho uma quimera.
No comando meu coração em anelo.
Por horas,
Como um zepelim amarrado,
eu, a sua espera.
Aqui tem jantar a luz de velas
Tem dedos que se entrelaçam
que contornam o seu rosto
Beijos enamorados
regados a olhares insinuantes.
Tem sala de estar
com grandes almofadas que nos convidam
aos carinhos a luz do luar.
Tem banheira, que as estrelas no teto,
Fazem ornamentar.
Ali, sou eu massagista,
Eu sinto-me seu artista
Eu de abraços molhados
De beijos desejados
De colo que carrega
Regando o tapete
molhando os lençóis.
Vou soltar as amarras
Já lancei a escada
Vamos viajar?                   
= Toque os meus lábios =

Com seus dedos...
Toque os meus lábios.
Fecharei os meus olhos...
Dos carinhos, a maciez
envolvente.
Sentirei o perfume do seu corpo
Que entorpece,
Enlouquece-me.
Faz de mim o seu homem.
Meu corpo treme ao calor do seu.
Inquietas, as minhas mãos,
por seu copo se assanham.
Fecho a cortina
Na penumbra sussurros
Cama que se desalinha
As loucuras se alternam.
Dedos nos lábios
Incendeiam os corpos
Explosão de desejo.
Quem sabe no amanhã?



Tonho Tavares

= QUERO VOCÊ =

Quero você,
minha flor viçosa,
que um dia, faceira e prosa,
cresceu em meu jardim.

No lirismo do anelo,
será sempre a mais bela
que, em mim, impera
seu perfume de jasmim.

Serei o seu paraíso.
Meu amor é sem juízo,
cresce e brota sem perguntas
maltratado-me o coração.

Se um dia me quiseres,
por favor, não se revele,
sentirei na própria pele,
o amor que vem de ti.

Buscarei para o meu leito,
Terá do amor
o mais perfeito
que guardei pra ti.

Deixe-me ser o teu amante,
será sempre uma constante...
noites lindas de paixão.        
                        
= Flores Esperança =

Ah! Se estas flores pudessem
dizer-te aos ouvidos...
A ternura que as enviei em silêncio
Dos meus lábios que padecem sem seus beijos
Do meu peito que a sua alma pede.

Buquê... Uma linda missiva...
Sem palavras
Sem letras
Sem traços
Sem bilhetes
Que seu coração
poderá ler em perfume
nas entrelinhas das cores.

Se acaso deslumbrar a rosa vermelha
Se houver gostas de orvalho
Inspirando a poesia,
saiba menina,
São lágrimas de esperança
de quem se fez criança
e sonha tê-la
pelo menos por um dia.

Tonho Tavares
= CULTIVA-ME =

Cultiva-me com carinho...
Se me cultivas
Me cativas.
Serei o fruto do seu amor.

Aduba-me com o seu sorriso.
Irriga-me com seus beijos.
Para que o sentimento cresça,
dê-me a alto estima.
Colha-me com seus braços.
Saboreia-me com a sua boca.
Armazena-me em seu corpo
Alimenta-te do meu melhor
Quando de mim,
Nada mais restares
Recolha-me as minhas sementes
E cultiva-me novamente.


Tonho Tavares
= CANTE UMA CANÇÃO =

Cante uma canção
Daquelas que falam de flores,
De amores,
De perfumes,
De uma saudade infinda.

Quero deitar em seu colo,
Sentir o som do seu corpo,
Seus lábios, beijando a minha testa
Acariciando o meu rosto,
Deixe-me, fingir que dormi.

Permanecerei por alguns instantes,
Buscarei carinhosamente
O seu pescoço,
Beijarei suavemente a sua boca,

Num momento inesquecível.



Tonho Tavares
= A ROSA E O POETA =

Uma linda rosa ruborizada
Timidamente perguntou ao poeta:

“_Por que chora, poeta...
Pois, se vives sempre em sonhos?
És como um arauto,
Proclamando o amor.

Por que choras?
Seu recado foi entregue por mim, a sua Dulcinéia.
Para ela, foste altaneiro,
Cantastes em galanteio as mais lindas canções.
Recitastes trovas e poemas que deslumbraram meio mundo.
Vivestes todos os amores,
do mais puro e eterno ao mais profano.

Por que choras, poeta?
Se trouxestes do céu, as estrelas, a lua,
As nuvens, o sol com toda sua exuberância?

Então me dizes... Oh, Poeta!
Choras o pouco que perdestes?
Choras por palavras,
Que a mim não me cabe entendê-las?

Diz-me poeta...
Saudade, distância, despedidas,
Renúncias, amores não correspondidos,
Até mesmo a felicidade, o reencontro,
Ela... Quem sabe todos os seus dissabores serão “Ela”?
Ou seria tudo isso sinônimo de lágrimas?

Sabe poeta...
De ti, nunca me afastarei.
Serei partes das suas rimas.
O presente da chegada e da despedida.
Dar-me-ei por inteira, como inspiração matinal.

Não mais serei orvalhada pelo sereno
Que refresca as madrugadas,
Mas, acolherei as tuas lágrimas.
São elas péssimas, salgadas,
não trazem o frescor.
Certamente, trarão o brilho inspirador
Para os mais belos poemas.”

Respondeu o poeta:
“_Minha linda e querida Rosa,
Meu choro são sorrisos em lágrimas
Na busca incessante do conhecimento da alma.
O choro do poeta traduz
encanto, posta sorrisos e esperanças,
distribui e lança pelos ares, partículas coloridas de amor.
Serei sempre
um milenar vivente
Que às vezes, mesmo inconsciente,
Renasço em cada rabisco.”




Tonho Tavares

= A PROCURA DO MEU EU  =

Procurei-me por ai...
Onde eu estava?
Desci ruas, subi ladeiras
Entrei em cada igreja que existia,
Em cada boteco, em cada praça da cidade,
Em cada casa,
Dos clássicos, aos mais ralés prostíbulos.
Busquei-me, nas mais lindas paisagens,
Nas cascatas, nos labirintos da vida.
Perguntei aos anjos e aos diabos,
Por onde eu andava?
Eu encontrava as minhas pegadas, em cada lugar,
Que eu passara.
O certo é que em mim eu não estava.
Cansado, sofrido, sem esperanças
Senti um perfume que era só seu.
Ali você estava...
Belíssima, com um lindo sorriso, de que é amada
Fiquei em estado de encantamento.
E foi em você, que me encontrei.
Em seu peito, bem no cantinho, eu me aconchegava
Quietinho, manso como uma pássaro, em seu ninho.
Foi lindo!
Eu abraçado, de novo, ao meu incauto sonho.


Tonho Tavares

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

= SONHOS E NADA MAIS =

E a luz penetrou em meu quarto.
Acariciou meu corpo
Perfumando a madrugada.
A lua, por sutileza, por entre as nuvens
Escondeu-se.

Fiz-me vento.
Varri nuvens, poli as estrelas
Brinquei de esconde, esconde, com a lua
Gaiteei com os anjos.
Viajei pelas mais lindas paisagens.
Com as sereias explorei
As profundezas do oceano.
Bebi água, da mais límpida,
Das fontes.
Colhi com os meus olhos,
Das mais raras, as mais singelas
das flores.
Visitei o lago, cujas águas
Exibiam as estrelas e a majestosa lua,
Tal e qual uma bela tela pintada.
Subi a colina,
Bem no topo do mundo
Gritei o seu nome.
Viestes em meu socorro
Como brisa fria da madrugada,
No meu peito atracou-se
Afastando-me da solidão.
Abri os meus olhos
Beijei a sua foto que ao meu lado sorria.
Tu és a luz, que me envolve,
Que me aquece,
Que me arranca sorrisos,
Quando me sinto na solidão.
Meus olhos se alagam
Tudo é saudade.
Sou real, todo seu,
Você é sonho, todo meu.


Tonho Tavares
= A NOITE É DOS POETAS =

A noite se enfeitou de estrelas
vestiu-se lindamente com seu vestido longo preto.
De um quarto de lua fez um lindo tiara
Desceu do céu
Queria inspirar os namorados.

Decepcionou-se...
Alguns estavam com seus corações distantes
Outros se remoíam e, ciúmes
Ninguém a percebeu.
Ela, faceira e dengosa
desfilava, queria ser notada
mas foi em vão
Continuou linda
E na solidão.

Ouviu alguém que lhe chamava
Surpresa ficou
ao encontrar, um, dez, milhares de poetas
Que a reverenciavam
Com uma atriz
posou, vez brilhar as suas estrelas
Trouxe a lua em seus braços
Presenteando aos poetas,

Delicadamente disse um até logo
E se retirou
Indo em busca de outros poetas
em longínquas paragens



tonho Tavares
= AMOR SEM FINAL =

Seus lábios são convite ao beijo.
Seu corpo traduz desejo
para um amor
sem tempo, sem final.

Lhe darei uma rosa púrpura
que colhi em minha alma
bem na hora
Que o amor
em mim alvorecia.

Nossas peles foram músicas
nossos olhos em dueto cantaram
As estrelas enternecidas em gozo
em xadrez riscaram o céu.

Nossos corações pulsaram
em pura poesia
Buscaremos a canção que um dia
será prelúdio de amor.


Tonho Tavares
  = LINDO COMEÇAR =

 De um grande amor fui à procura.
Entrei em uma loja,
Especializada em sentimentos.
A vendedora se dispôs a ajudar-me,
E não demorou a trazer
O artigo desejado.

Expôs-me o tal “amor” pedido
Em uma bela caixa colorida,
Indiscutivelmente,
Uma maravilhosa embalagem!

A caixa foi aberta.
Era um belo exemplar.
Peguei-o, tentei experimentá-lo,
Havia excessiva cobertura de mel,
 O recheio de brigadeiro
Mas o núcleo era vazio.
Conhecer a outros eu desejei.

Trouxe-me então o último lançamento.
O material que o envolvia era magnífico.
Todo maquiado, com sombras e
Todos os aparatos femininos,
Uma parafernália de brilhos e cores.
 Admirei a beleza ímpar do ditoso.
Ao tocá-lo, a maquiagem se desfazia.
Abri a graciosa embalagem,
Ali estava ele... Todo bordado,
Lindíssimo!
Ao pegá-lo assustei-me
Estava endurecido, gélido e sem transparência.  
Abaixei a cabeça, desesperançado, me sentindo,
Completamente só.

Ganhei a porta da rua e saí.
Sentei-me a calçada, suspirei com tristeza,
Com certeza, queimara a minha última esperança.
Um ventinho frio soprou-me.
Um amor displicente e sem maquiagem, desprovido de pretensão,
Com tamanha simplicidade,
Até mesmo sem embalagem.
Vinha à deriva como magia em minha direção.
Perto de mim, ele postou.
Em lágrimas, o meu olhar ele enxugou.
Pude ver que ele também estava só.
Conversamos, rimos e brincamos.
Era impossível resistir,
Vindo do seu interior o intenso brilho.
Nossos lábios se encontraram num longo beijo
Foi um lindo começar.

Tonho Tavares
Boa tarde a todos!

    =Paixão=


Rasga,
Dilacera,
Exorciza
Retire o espírito
Que me faz real.
Subtrai o peso,
Dê alma à leveza
Como o vento que sopra o corpo
Suado.

Minha fêmea serpente
Ardente, atente
Arrasta e resgata,
Da terra ao éden,
Entorpece o meu ser.

É braço, corpo e alma,
O abraço.
Do silêncio, o sussurro.
Do êxtase, o gemido.
Relampejam fagulhas brilhantes
Eu,
Débil a deriva.
É paixão
Que se extrapola,
No deleite dos beijos
Seu.


Tonho Tavares

domingo, 28 de dezembro de 2014

=Sonhos=

Sonhei que a vida sorria...
Eu, débil, menino crescido
brincava de amar.
Relampejos de dor e amor
rondavam mina alma,
me calei.

Calar, afastar, fazer silêncio,
alma enternecida.

Da cova funda buscava
o paraíso.
Vi meus sonhos se esvaírem
com poeira.
Fiquei triste.

Meu Deus, se os sonhos voam,
voarei com eles.
Buscarei entre nuvem,
sedento de carinho, os beijos os desejos.

Da infantil ausência, me farei estrela.
Polirei meu próprio brilho.
insano é o sofrimento.

Encontrarei-te um dia, quem sabe?
Em flores, num verso lindo do poeta louco,
no bar da esquina, lugar, que importa!
Viver sem sonhos é loucura.
Sonho sem esperança
é solidão.


Tonho Tavares
=Desejo Ardente=

Hoje ao acordar
 olhei para o teto.
Mais uma vez
visitava-me a solidão.
Ouvia-se
algazarra de pardais
que a suas crias tratavam.

Senti o gosto de mil beijos.
Noites de sonhos e desejos.
A pele ainda aquecida
do puro amor.
No ar, a essência do vazio.

Beijos apaixonados, com abraços
e desejos enlouquecidos.
Até os roucos gritos do gozo.
Fronhas, travesseiros, lençóis,
em completo desalinho.

Perfume de esperança,
de um amor sem regras,
sem barreiras.

Serão aqueles os melhores beijos,
os que ainda estão por vir.


Tonho Tavares

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

=Mulher Sonho =

O sono dá lugar ao devaneio...
Vejo o teto e as paredes pintadas
nas cores da solidão.
O silêncio convida-me a vida.

Penso...
Que bom seria chegar louco de saudade
Meu corpo pedindo você
invadir o seu quarto
Eí-la deitada, meio que jogada
pernas parcialmente despidas
Uma bela visão!

Vou ao chuveiro...
Livro-me do duro dia trabalhado
Água escorre pelo meu corpo
Sonho...
Enquanto as minhas mãos deslizam pelo meu corpo em espumas
Toda tensão, agruras do dia
Esvai-se pelo ralo.
Mente quase vigem
no pensamento só você.
Fecho o chuveiro,
embrulho-me em toalha
uso o seu perfume favorito.
Beijo suavemente as suas pernas, seus braço e seu rosto,
e tudo que está exposto.
Seus olhos se abrem com um sorriso
Em silêncio, suas mãos passeiam pelo meu rosto
Pelos meus cabelos molhados e desalinhados
seus dedos penetram.
Seus lábios me convidam ao beijo
Eu louco de desejo
entrelaço em seus braços.
Você afaga-me...
  Agarra-me, como uma fera acuada.
Mais uma noite que se foi.
Amar-te-ei minha mulher sonho
Até que se materializar.


Tonho Tavares