sábado, 30 de novembro de 2013

                            =Encontro com a sabedoria=

Em pintura,
Retratei a minha vida.
Usei tintas imaginárias,
De colorido sem igual.

Desprezei o preto e o branco.
Para eles, não haveria soluções.
Estas tinturas, sem noção e razão,
Não deveriam contrastar com o belo.

No salão nobre
Pendurei a tela.

A cada olhar observador
O retrato se desfazia
Apontavam as falhas do eu, do artista.
A escolha errada do pincel, da tinta,
Da tela.

Entristeci-me, como um campeão derrotado. 
Junto as minhas frustrações
Voltei ao atelier.

Somente,
Com o preto e o branco,
Outro quadro pintei.
Traços fortes,
Formas indefinidas.

Pronto o quadro, na galeria do mundo eu o expus.

Ao lado, eu sorria.
Acreditava piamente no sucesso.
Mais uma vez,
Fora pela observância repudiado.
Passara ao longe daquele monstro
Pintado.

Atirei ao chão a tela.

Com uma dor desvairada, do orgulho,
Eu e a minha solidão
Sobre ela debruçamos.
Olhar fixo, sem entendimento,
Gritava ao vento...
“Olhem, vejam, por favor, tenham dó!”

Veio-me a dura realidade.
Com a artista, Dona Vida, deveria eu aprender.

Peguei todas as tintas dos sonhos,
Em forma de aquarela
E com lindas cores pintei outra tela.

Chorei, chorei e chorei.
Minhas lágrimas em preto e branco
Mancharam a minha tela.

Que susto!
Ao ver o resultado.

Expor, não mais precisei.
Ao lado dela, muita gente estava.
Só então compreendi: 
É a mistura, de sorrisos e lagrimas,
Que nos humanizam,
 Nos transformado em verdadeiros pintores da vida
E hoje, fiz as pazes com a felicidade.

Tonho Tavares