quarta-feira, 30 de outubro de 2013

     = BEM-ME-QUER... MALMEQUER = 

Na planura do silêncio,
Vejo-te deitada
À sombra de uma árvore.
Nas mãos, uma branca margarida.
Acompanho o seu pensar baixinho...
Bem-me-quer... Malmequer...
Bem-me-quer... Malmequer...
A cada pétala arrancada.
Faço-me invisível.
Aproximo-me lentamente...
Bem-me-quer... Malmequer...
Deslumbrado com aquela visão tão bela,
Meu coração e alma se alinham.
Torço ao olhar as pétalas
Que em seus seios vão caindo.

Bem-me-quer... Malmequer...
Faltam apenas duas
Sei qual será o desfecho...
Apanho outra linda margarida.
Conto as pétalas.
Faço o cálculo,
Arranco uma pétala...
Agora sim!
Vai dar certo!
A penúltima pétala é arrancada
Bem-me-quer...
A última se abre em lágrimas
Malmequer... 
Chego de mansinho,
Enxugo as suas lágrimas e
Ofereço-lhe a outra flor.
Agora, em voz alta e esperançosa,
O questionamento recomeça...
Bem-me-quer... Malmequer...
Ao lado, coração agitado, eu também faço coro.
Bem-me-quer... Malmequer...
Penúltima pétala
Malmequer...
Um sorriso vencedor brota
Bem-me-quer...
Enlaça-me o pescoço com carinho e
Beija-me com ternura.
Um vento suave de alegria se atreve
e o cabelo dela desalinha.

Tonho Tavares.